Buenas, esta semana foi difícil. Aliás, está sendo difícil. As vezes parece que não vai
dar. Então, de volta à sessão de terapia virtual. De volta às palavras. De volta ao hábito
de falar sozinho.
Quem me conhece sabe que meus dois maiores ídolos são os zagueiros Cássio e
Rafael. Não por coincidência são meus irmãos mais novos. Mas, enfim, sobre eles,
falarei em outro momento, não esgota-se o assunto. Mas, eles escolheram ser
zagueiros.
A referência é apenas para trazer a análise da função do zagueiro em um time de
futebol. Ainda pela manhã revia as cenas em que o zagueiro “Cris”, do Grêmio, cometia
uma falta capital, punida, com a expulsão, com o cartão vermelho. O atacante do
Fluminense estava com a bola dominada, de costas para Cris. O zagueirão chega num
primeiro encontrão, um segundo, no terceiro, veio, de bônus, um “rapa”, como
dizíamos lá na “Rua do Meio”. O “rapa” é aquele chute, que não visa a perna do
oponente, visa tudo que tem pela frente. Bola, perna, joelho, pedra, toco, enfim. Aliás,
o time lá da “zona” era justamente o “Arranca-toco”. Talvez até haja alguma violência,
é fato, mas, o sujeito dali não passa. Talvez haja alguma estupidez, alguma burrice,
mas, o zagueiro precisa ser “respeitado”. E respeito faz bem aos dentes, aos joelhos,
tornozelos e canelas de atacantes prevalecidos. Portanto, penso que houve um custo
numa partida, que poderá virar investimento para a temporada. Penso que o “Cris”
seja um zagueiro a ser “respeitado”.
Mas, ademais disso, notem que a zaga pode fazer tudo certo, mas, num único rapa,
numa única furada, num único vacilo, pronto, o jogador é lançado aos leões, fritado
em óleo fervente, atirado à vilania. Por outro lado, observem os atacantes. Poderia
citar vários, Neymar, Leandro Damião, Fred, Ronaldo(s), Romário, enfim. Um, dois,
três, dez chutes. Um, dois, três, dez bolas pra fora. Até que, pronto, um gol “espírita”,
do “Além”, a bola bate na orelha do sujeito e entra no gol. Dia seguinte o jornais
estampam: “Fulano é o herói da partida”.
Ponte Que Partiu! E o zagueirão que tirou bola até com pensamento? Não fez mais que
a obrigação? É isto! Verdade. O zagueiro é o cara pago para NÃO errar. Tira uma, duas,
três. Chega junto. Manda bola pro mato. Dá cabeçada até na trave. Mas, se no último
momento, ou num momento qualquer, der um “rapa” a mais, ou, não alcançar o
lançamento perfeito, pronto, falhou!
Já o atacante, é pago para errar. Sim errar! O atacante chuta dez vezes em gol, perde a
bola vinte, tropeça nas próprias pernas outras tantas. Mas, um único lance. Uma única
chance, um único gol, e todo seu salário justifica-se. Ele erra muito, muito. Portanto,
paga-se também pelos erros, e, neste caso, os erros são maioria.
Nas empresas, o atacante é o “Comercial”. É quem “trabalha” menos, e ganha mais.
Desculpem-me os colegas vendedores, também já o fui, falo “de cadeira”, mas, essa é
a realidade brutal dos fatos. O comercial manda uma, duas, dez propostas; visita um,
dois, dez clientes, pra fazer uma única (e desejada) venda! Ninguém se dá conta das
vendas não realizadas, mas, todos comemoram a nova conquista!
Já o zagueiro é o “Operacional”. Todos serviços implantados. Todas faltas cobertas.
Todos os postos atendidos, tudo correndo bem. Até que, uma única vez, num único
cliente, em um único posto, não conseguimos resolver, não conseguimos fazer, não
conseguimos chegar. Um único vacilo. Uma única falha. Um único “rapa”. E lá vamos
nós, novamente, fritarmo-nos em óleo fervente.
Bem-vindos ao Departamento Operacional. Não é fácil a vida de zagueiro.
De formas diferentes, meus irmãos e eu escolhemos fazer a mesma coisa: não
podemos errar!
— *Post extraído do blog ‘Opiniático Reflexivo’ em 29/03/2026 às 21:19* — ##
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