Terapia do Amor

Se é verdade que o amor é um sentimento sofisticado, e, portanto, complexo, também
é verdade que posso ficar à vontade para ensaiar sobre o assunto de maneira
absolutamente livre.  Afinal, o amor já foi cantado em prosa e verso. Poesia e
música. O amor é estudado por quase todas as ciências, até mesmo pela matemática –
que me ajude o Prof. Amadeu, eterno amante e apaixonado pela geometria analítica.
Psicologia, psiquiatria, neurologia, ciências médicas que também debatem. Filosofia,
pintura e quase todas artes, contemplam o amor. Sem falar nos apaixonados, nos
desavisados de plantão que se propõe a ter uma experiência com o amor./o:p
Amar Verbo Intransitivo. O livro do Mário (de Andrade)
era um dos que mais chamava minha atenção na
biblioteca da minha mãe. Ainda assim, me faltava
gramática para entender o propósito do autor, e coragem
pra desfrutar da leitura./o:p
Um verbo intransitivo, aprendi depois, é aquele que não
necessita de complemento para transmitir sua
mensagem. Eu respiro (ponto final). É suficiente para informar que se está respirando.
Eu amo (ponto final). Seria suficiente para informar que se está amando. Será?/o:p
Não sei. (Ponto final). /o:p
Não sei o que é o amor, qual seu conceito, do que é feito, qual o sentido. Embora o
sentido, bom, quanto ao sentido eu posso arriscar, o amor é o que move o mundo.
Ainda que eu possa não entender muito de amor, posso arriscar, me inspirando na
Felicidade Inútil do Prof. Clóvis, que o amor é a utilidade que falta naquilo que parece
sem recompensa./o:p
Ora, vejamos as mães que tudo perdoam, que tudo suportam, que tudo fazem pelos
filhos nem sempre gratos. Vejamos as mulheres, que em boa parte das vezes suportam
relações abusivas, desproporcionais, por anos. Vejamos tantos casais, que se cuidam e
protegem, mesmo depois da inutilidade do corpo. Vejamos quantas pessoas que
acolhem, cuidam, adotam e protegem, sem qualquer paga. Na verdade, o pagamento
é o próprio amor, ele se basta. Intransitivo. Nada disso aconteceria, não fosse o
amor./o:p
Pelo menos, é uma primeira reflexão sobre o tema. Confesso, trata-se de um assunto
sobre o qual estou bastante inspirado nos últimos dias. /o:p
Temos dentro de nós um pequeno lobo. Que traz consigo nossos medos e angústias.
Falei dele outro dia. Alimentar esse lobo, é torná-lo um animal feroz, forte, e muitas
vezes incombatível. Somos os nossos próprios lobos, afirmava. /o:p
Pois bem. Eis que encontrei no amor a terapia, o unguento, o bálsamo. É este amor
que nos veste, nos equipa, nos prepara para lidar com lobos, leões, e leviatãs de toda
ordem./o:p
Falava há pouco com a minha mulher, ainda que distante de mim neste momento, o
mesmo trabalho que nos encontrou, nos deixa afastados por alguns dias. Não importa
a distância, ela me prescreve diariamente doses de beijos e afagos, recomenda que eu
leve comigo carinho e atenção, que eu repita mentalmente as reações que tenho ao
seu cheiro e seu calor, dedica inúmeros comprimidos de afeto, afeição, e
reconhecimento desse nosso amor./o:p
Nessas horas, toda cólera se esvai, e o coração se enche. Desse amor que é verbo, que
é ciência, que é fluído; desse amor que preenche. /o:p
Terapia do amor. Recomendo./o:p
Voltarei a falar sobre o assunto. Prometo./o:p
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19


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