Augusto de Souza —
Nestes dias de isolamento, final de semana assisti uma
série sobre a Segunda Guerra Mundial, e algumas agruras
do regime Nazista e dos Campos de Concentração.
Outrora, havia lido também o comovente livro O Menino
do Pijama Listrado, além de um ou outro livro sobre a
grande guerra. Uma das coisas que mais me
impressiona é a capacidade que a humanidade tem em
ser criativa, inclusive quanto à crueldade. Já naquela época, há mais de 70 anos, se
testavam armas químicas e biológicas. Desde a idade média, cachopas de abelhas,
vespeiros, são usados como armadilhas cruéis.
Poderia, afinal, um organismo microscópico, ser uma arma biológica em uma guerra
velada?
Por óbvio, permito-me a liberdade quase-poética para escrever uma teoria da
conspiração, que encontra eco apenas na minha imaginação. Qualquer semelhança
com a realidade é, portanto, mera quase-coincidência.
Contextualizando, em síntese, estamos em março de 2020, o mundo vive em
pandemia de uma doença chamada COVID-19, causada pelo Coronavírus, um vírus
mutante e letal, identificado inicialmente na cidade de Wuhan, na China, epicentro da
doença até algumas semanas atrás. Morreram milhares de pessoas, contudo,
basicamente de um perfil específico: idosos e imunodeprimidos, característica que se
repetiu nos demais países. Hoje, a Itália registra a maior mortalidade e maior
incidência de novos casos. Este vírus é transmitido pelas gotículas minúsculas de
saliva, ou secreção nasal, dispersas no ar, pela simples fala. Também, tem alta
resistência; em algumas superfícies pode manter-se viável por até 9 (nove) dias; além
disto, possui uma janela imunológica de até uma semana, de maneira que é possível
transmitir o vírus sem que se esteja doente; mais do que isso, boa parte das pessoas
serão infectadas e não desenvolverão a doença; estes fatores tornam a COVID-19
altamente transmissível. Atualmente, o Brasil tem mais de 2 mil casos confirmados,
ainda que se estime que isso represente apenas 14% do total, já que há quantidade
limitada de testes. Temos pouco mais de 50 mortos, seguindo o padrão de
concentração no grupo de velhos e doentes prévios. Esta doença é caracterizada por
uma agressão severa ao sistema respiratório, causando insuficiência pulmonar. O
tratamento, nos casos graves, precisa ser junto a unidades de terapia intensiva de
média e alta complexidade, considerando que requer respiradores, brônquio-
dilatadores severos, que podem afetar o sistema cardíaco. O conjunto desses fatores
faz com que governos do mundo inteiro se mobilizem no sentido de evitar um colapso
nos sistemas de saúde – públicos e privados – determinando medidas altamente
restritivas de isolamento social, fechamento de fronteiras, restrições do direito de ir e
vir, inclusive limitando o comércio, interrompendo o transporte público, toque de
recolher, dentre outras. Este é o momento que vivemos agora no Brasil, e não se sabe
quando este cenário irá mudar, tampouco se avalia com clareza o impacto econômico
e nos empregos das pessoas em médio e longo prazo.
A guerra do século XXI é econômica. O império deste milênio é tecnológico e
econômico. Em uma queda de braços entre Estados Unidos e China, as duas principais
potências econômicas do mundo, não se imagina uma disputa bélica. O custo militar
entre gigantes talvez não fosse suportado pelo planeta. Tenho convicção que já houve
simulações de modelos com este cenário.
Mas, a guerra econômica e tecnológica é evidente, clara e reverbera no mundo inteiro.
Na disciplina de Ciências Políticas, lá na faculdade de Administração, na década de 90,
fui formalmente apresentado a obra: O Príncipe, de Nicolau Maquiavel. Não é por
acaso que se trata de um livro obrigatório para se entender política, pré-requisito, para
qualquer neófito em ciências sociais. O sobrenome que se transformou em adjetivo:
maquiavélico! O ardil, o simulacro, a dissimulação, requisitos para conquistar e
manter o poder.
Agora veja, em 2020, o príncipe tem ao seu dispor a tecnologia mais avançada do
planeta, aliás de todos os tempos e de toda a humanidade; recursos econômicos
ilimitados; uma população que beira os 1,5 bilhões de seres humanos – fonte
inesgotável de cobaias, e, potencialmente o animus necessário para tomar o poder.
Pensemos numa arma que possa atacar a economia do inimigo; que possa paralisar a
produção, que possa causar desemprego, fome, que possa liquidar definitivamente as
famílias, que possa instalar o medo, bem ao estilo Sun Tzu! Uma arma que não
demande grandes recursos logísticos para mobilização, que se possa usar o próprio
inimigo para transportar, e implantar; bombas microscópicas. Mais do que isso, a força
letal teria impacto apenas sobre a parcela menos produtiva da população, seja pela
doença preexistente ou pela idade. Lembrando que os inimigos dominados se tornam
escravos, agora, sob o comando do príncipe. Escravos, ou servos doentes e velhos,
são custos desnecessários. Essa arma, seria imbatível, invisível, indomesticável. Não
há cura para doenças virais, apenas vacinas. Quando chegarem, será tarde demais.
Desistimos das bactérias, porque são seres frágeis diante do antibiótico. Mas, um vírus
mutante é invencível, especialmente no curto prazo.
Agora, a grande manobra: serei a primeira vítima! Como ser acusado de implantar
uma bomba no coração do inimigo, se feri de morte minha própria carne?
Mera dissimulação. Na visão do príncipe, o indivíduo é menos importante do que a
espécie, do que o reino. Especialmente um reino com estoque ilimitado de pessoas.
Efeito colateral. Ao fim deste ataque, no período de 6 a 12 meses – uma guerra rápida,
implacável, avassaladora, o mundo estará de joelhos diante do príncipe que já terá
retomado suas fornalhas a pleno vapor. E, melhor, reluzirá resplandecente na alvura
de sua inocência.
Trata-se de um xeque-mate. Não há como escapar, ainda que se tenha como verdade
toda essa teoria da conspiração, não há como sucumbir ao efeito letal da arma
disparada. Agora, resta-nos ficar em casa, isolados, reconhecendo nossa frágil
ingenuidade, e esperar a rendição aos novos reis do mundo.
(Há algo pior!… Pode não haver rendição, pode acontecer de que os xerifes do
mundo imaginem que o novo século se resolve com Colts e Winshesters, neste caso,
preparemo-nos pois tempos ainda mais sombrios hão de surgir).
Post Script: é certo que este texto é uma reflexão hipotética e criacionista que pode
não ter qualquer amparo com a realidade. Pelo contrário, não seria justo estabelecer
uma responsabilização prévia da China, ou pior, do povo chinês, que afinal, seria
vítima do príncipe, ou da corte. Reitero este cuidado pois vivemos em um tempo de
intolerância e julgamentos precipitados. Tudo que não precisamos é alimentar um
espírito xenófobo, ou coisa que o valha. Contudo, não posso evitar a reflexão.
— *Post extraído do blog ‘Opiniático Reflexivo’ em 29/03/2026 às 21:19* — ##
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