O centroavante vinha com a bola dominada. Sujeito habilidoso, disputado pelos
grandes clubes europeus, ídolo em todo o país. À sua frente, antes da meta e seu
goleiro, o zagueiro. Tantas vezes já falei de zagueiros. Toda a vantagem está com quem
domina a bola. É dele a iniciativa dos movimentos.
Ao zagueiro cabe cercar. Mas, o cerco não é de frente, nem de lado. É em diagonal.
Pernas flexionadas, como se preparasse para uma largada de atletismo. O artilheiro
mira as pernas do adversário, dança de um lado, de outro, faz da bola uma bailarina
sobre o gramado. O marcador precisa dar o “bote”, mas sabe que pode errar, ou ser
driblado, e precisará correr. Como uma serpente encantada, vai de um lado ao outro.
Num único lance, como um malabares, é vencido pelo driblador. Mas, não desiste.
Arranca em disparada. Sabe que agora a desvantagem aumentou. Não restam
alternativas. Apenas uma chance antes do gol inevitável. Sabe que não pode errar.
Todas aquelas vozes, todos aqueles olhares. Corações apertados, a angústia de quem
embreta-se diante do matadouro, o adversário fará o gol. Não pode desistir. Não pensa
mais em respirar. Sua meta é só a bola, precisa recuperá-la. Pôde sentir a pulsação do
gramado, o som do balão de couro tocando a chuteira.
Então, quando já não mais se acreditava, o golpe certeiro, na bola, protegendo-a, e
livrando-a do domínio absoluto que detinha até então o centroavante artilheiro.
Não houve o gol. Nenhum. Não naquele dia.
Concentração, esforço, persistência! Mesmo driblado, mesmo caído. Hoje não haverá
gol do adversário!
— *Post extraído do blog ‘Opiniático Reflexivo’ em 29/03/2026 às 21:19* — ##
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