Voltando aos meus temores, sinto que realmente a República está alarmada.
Tragicamente, os dirigentes do país estão assustados, amedrontados, apavorados.
Ora, primeiro a proposta de uma Constituição descabida (e espúria, diga-se de
passagem). Agora, um plebiscito para que se saibam as aspirações do povo. Será tão
difícil descobrir?
A questão nunca foi o que a população quer. É simples. Um sistema de saúde onde
todos possam ser atendidos com dignidade. Condições de transporte público em que
as pessoas não estejam enlatadas. Educação capaz de proporcionar uma
alfabetização funcional às pessoas. Estradas amplas e seguras. Segurança capaz de
promover tranquilidade às pessoas, inclusive para caminharem pela Redenção às dez
da noite. Pleno emprego. Altos salários. Iphones e Ipads novos a cada lançamento da
Apple. Uma viagem à Europa a cada dois anos. No intervalo, outra viagem à
Disneylândia. Carros zero quilômetro a cada três anos, motores acima de 1.8l, bancos
em couro, câmbio automático.
Ora, as necessidades são ILIMITADAS. Quem quer que tenha sido iniciado nas ciências
administrativas ou econômicas, lembra-se da pirâmide de Maslow, que estabelece
uma hierarquia quanto às necessidades humanas. Hoje, o clamor popular é quanto às
necessidades básicas – quase fisiológicas. Em seguida, outras necessidades surgirão.
Haverá um plebiscito para cada uma delas? O país sucumbirá para cada ato público
que for feito?
Ainda, houve outro sujeito que disse que a população cresce em progressão
geométrica, enquanto os alimentos em progressão aritmética. Talvez não seja
exatamente assim. Provavelmente seja pior. Thomas Malthus previu um apocalipse
populacional. Daí decorre a questão fundamental das ciências econômicas: suprir
necessidades ilimitadas, com recursos finitos.
Então, como fazer? Publica-se um plebiscito, descobre-se o fogo, as necessidades do
povo, e atendem-se todas elas? Como? Aumentam os impostos? Quem deixará de ser
pago? Quem pagará mais? Voltaremos à inflação desenfreada, descontrolada? Qual
medida foi anunciada para diminuir Ministérios, Pastas, cargos de confiança,
desonerar a máquina pública?
Mais uma vez discursos demagógicos, populacionistas, fantasiosos, ilusionistas. Aí,
renascem outros temores, por exemplo, o de que todos estes manifestantes, e seus
admiradores, e incentivadores, como eu, acreditem nestas soluções mágicas que a
nossa presidentA nos apresenta como tábua de salvação.
Que medo!
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19
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