Química Corporativa **Data:** 12 de March de 2013 às 11:23 **Autor:** Fábio

Augusto de Souza —
Confesso que, na escola, uma das matérias em que tive mais dificuldade, foi a
“química”. Cálculo estequiométrico, número de Avogrado, tabela periódica, Teorema
de Pauling, anéis aldeídicos, fenóis, enfim, coisas das quais eu tenho apenas uma vaga
lembrança. Contudo, inegável que a química faz parte de nosso cotidiano. Mas,
surpreendentemente, ela se demonstra análogamente de forma tão aplicável quanto,
efetivamente nos tubos de ensaio.
Notem, por exemplo, o processo de oxidação. A oxidação, se verifica em vários
processos, quando o oxigênio reage com determinadas substâncias. Percebemos
claramente a oxidação na corrosão de metais, conhecida como aquela poeira marrom
que se forma em latarias, a ferrugem. Ela destrói, consome, emperra qualquer coisa,
desde engrenagens à dobradiças, basta que determinados materiais permaneçam
expostos ao ar, ou sem a devida lubrificação.
Quem já foi guri, sabe que é importantíssimo colocar um “azeitezinho” na correia da
“bici”, para pedalar com mais suavidade. Ou, o veterano cuidadoso, que lembra de
passar um “desingripantezinho” nas dobradiças da porta do “possante”. Até a
vovozinha sabe que algumas gotas de óleo, na máquina de costura, são fundamentais.
Nas empresas, o que tenho observado é uma generalizada falta de lubrificação das
engrenagens que movem a organização. Infelizmente, as relações se desgastam,
oxidam, enferrujam, e, muitas vezes, isso só é percebido quando todo o processo está
emperrado, quando, enfim, a máquina trava, e, pode ser tarde demais.
É fácil perceber. Ocorre quando começamos a ter de fazer esforços maiores, para
atingir os mesmos resultados. Ouvimos aquele ranger, aquele barulho incômodo, ao
movimentar os processos, ao dar sequência nas providências. Parece que não somos
mais ouvidos, parece que tudo tornou-se difícil.
É preciso, portanto, “azeitar” as engrenagens, ajustar as folgas, substituir as peças
mais desgastadas, colocar a graxa da medida certa, limpar tudo, e fazer funcionar
novamente. Esse processo envolve, necessariamente, cuidado e dedicação. Também
exige sensibilidade e disposição para permitirmo-nos mudanças. Mais ainda, é
imprescindível aceitarmos que precisamos comunicar mais e melhor, que precisamos
praticar o feedback, que precisamos, finalmente, estar preocupados em tornar a vida
do nosso colega mais fácil.
Ter como propósito facilitar a vida das pessoas, especialmente aquelas que estão
ombreadas conosco, pode ser um grande antídoto para a oxidação das empresas. E eu
que achava que não usaria química no meu dia-a-dia.
— *Post extraído do blog ‘Opiniático Reflexivo’ em 29/03/2026 às 21:19* — ##


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