Enquanto eu sorvia o amargo gelado de uma Heineken gelada no final do domingo,
aquele sujeito chegou de bicicleta, com uma mochila quadrada estampada ifood para
pegar mais uma encomenda da lanchonete. Além dos clientes pessoalmente na loja,
havia um entra e sai de entregadores em bicicletas, revelando uma tendência grande
de conveniência e impessoalidade./o:p
Enquanto advogado, tenho lá minhas convicções a respeito deste modelo de
empreendedorismo americanizado em solo tupiniquim. Confesso que há um
conflito pessoal e uma tentativa frustrada de equilibrar o empreendedor defensor
feroz da livre iniciativa, e o jurista estudioso das relações de trabalho. Isso é assunto
para outro post./o:p
Neste caso, o que me chamou atenção foi o fato de que ele usava uma bicicleta
alugada. Sim, destas que aquele banco disponibiliza em locais da cidade, a partir de
um pagamento de mensalidade. Salvo juízo, o uso ilimitado de uma bicicleta alugada,
ao longo do mês, custa algo como R$ 20,00, com a obrigação de entregar e pegar
novamente. /o:p
Ao rapaz, com pinta de universitário, para gerar uma renda extra – não tenho ideia de
qual – bastou-lhe um telefone celular conectado à internet. Não posso negar, que por
mais que possamos falar em precarização do trabalho, a possibilidade de se gerar
renda apenas a partir da tecnologia, criatividade, iniciativa e boa vontade, parece ser
uma das boas novidades do século XXI.
/o:p
O assunto é longo, polêmico e complexo. Sem dúvida, provocativo. Liberdade para
trabalhar quando como e onde quiser, ou emprego formal, protegido, e caro?
Só uma provocação.
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19
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