Oi mãe, /o:p
Vou preferir te retornar pelo whats, porque posso ser mais prático. Obviamente eu não
ficaria sem responder, como bem deves saber. Antes de tudo eu não excluí ninguém,
muito menos tu e o pai. Agora, não depende de mim compreender isso, ou não. De
fato, é uma escolha./o:p
Então, pontuando por partes, como fizeste. A Mariana esteve comigo no Recife em
30 , em mais uma jornada em que as imagens não traduziram os sentimentos; não
10
deveria ser surpresa pra ti, já que desde sempre eu compartilhei o fato de que a
Mariana não era a mulher da minha vida./o:p
Mais de 40 dias depois, vou a Florianópolis e volto decido a terminar. E terminei. E só
não fiz antes porque não terminaria por telefone ou whatsapp. E isso é uma decisão
pessoal. /o:p
Quando vieram ao Recife, estava sim namorando a Andreza, que aconteceu, na
prática, depois de ter terminado com a Mariana, no período de natal. A minha
tatuagem eu mesmo desenhei há mais de dois anos, e de fato, resumiria meu gosto
por escrever e minha faculdade de Direito. A Andreza queria fazer uma tatuagem com
a palavra Amor, e resolvemos fazer juntos. Elas foram feitas alinhadas, combinando,
mas, tem significados que servem muito bem individualmente. Uma coisa não excluiu
nem invalidou a outra./o:p
O relacionamento enquanto namorados é bem recente. Mas, nossa relação como
colegas e amigos é de mais de 10 anos. A Andreza já ficou no meu apartamento,
quando éramos os dois casados; saímos pra almoçar com a Sinara e com o Willian, e
nada, naquela época havia, exceto amizade, respeito e admiração. /o:p
Logo que me separei da Sinara, a Andreza e eu, nos aproximamos muito, e quase
começamos a namorar de fato. Mas, na época, eu não tive coragem de iniciar uma
relação com alguém que morava em outro estado, com filho recém nascido, etc. Errei.
Deveria ter tido mais coragem. Não tive. Também estava muito fragilizado. Me
arrependo disso, pois quase perdi a oportunidade de ficar com uma pessoa de quem
eu realmente gosto demais./o:p
Nossa relação teve vários estágios: fomos colegas, fomos amigos; depois que nos
separamos, passamos a fantasiar uma relação (platônica); nos afastamos desde que
eu comecei a namorar a Mariana, inclusive a própria Mariana soube da nossa relação
lá, e por isso ficou tão ressentida agora. Mas, neste período, realmente não nos
falamos. Andreza voltou a estar presente na minha vida quando voltei à Liderança, e
ela passou a trabalhar comigo./o:p
A história voltou, e percebemos que poderia ser real. Eu já teria terminado com a
Mariana antes, mas, não queria fazer por telefone. Terminei com a Mari, e comecei a
namorar a Andreza. Simples assim./o:p
Por óbvio, um amor não é assim de um dia para o outro. Há uma história longa de
construção de sentimentos, que transformamos nesse amor que temos vivido. O
tempo, não é decisivo, a intensidade sim. Tenho 42 anos, não tenho tempo a perder
quando sinto o que estou sentindo, de forma inédita. Reencontrei, ou encontrei
alguém que tem me feito muito bem./o:p
Aliás, inúmeras histórias de amor intenso, da noite pro dia existem por aí. Por perto de
nós, inclusive. A vó e o vô, por exemplo, em três meses se conheceram e casaram.
Puxa, isso não pode ser tão chocante./o:p
Não é preciso entender a nossa aproximação em nível pessoal, porque nem tudo na
vida precisa ter uma explicação. Apesar de eu conhecer toda a história de vida dela,
isso só me faz admirar a Andreza./o:p
Desculpa que tu tenha se sentido como em um restaurante mãe. De fato, não houve
muito tempo. Mas, nos 20 dias anteriores, ninguém me perguntou nada, e eu sempre
disse que iríamos almoçar juntos. Ainda reli meus whats, e sim, mencionei que iríamos
almoçar juntos no domingo./o:p
Justamente por me colocar no teu lugar que eu não quis ficar em casa com uma
pessoa com quem tu ainda não tem intimidade. E, desde sempre, sei que intimidade
é algo bem difícil de se conquistar. Mais uma vez, o que aproxima as pessoas não é a
duração das conversas, é a abertura, a entrega, a intensidade./o:p
Sim, quando eu estive aí eu já tinha planejado o noivado nos mínimos detalhes. Era
uma grande surpresa. Especial surpresa para a minha noiva. Falar ou comentar antes,
estragaria a surpresa, e me faria dar explicações (como essa), que não cabiam naquele
momento./o:p
Se vocês estivessem em Floripa, estariam no aniversário, e, portanto, no noivado
surpresa. Não estavam. É simples, leve, e não houve nada de excluir ninguém. Não
casei, não marquei data, nada. Apenas ratifiquei um compromisso de que eu quero me
casar com a Andreza, assim como ela, aparentemente, quer se casar comigo. Essa é
mais uma decisão minha, com base no que eu SINTO, não com base no que penso,
porque se pensar bem, talvez fosse bom escolher ficar sozinho mesmo./o:p
Com relação as coisas que acontecem no nosso dia-a-dia, do teu trabalho, do teu
problema oftalmológico, eu não teria como saber. Também não recebo contatos,
chamadas, etc. Falei com o pai outro dia, por uma hora, ele não me contou nada disso.
No dia do aniversário da Andreza, naquele mesmo dia, tu comentasse várias conversas
no grupo sobre a Laura, imagino que tinha visualizado também o meu, já que o tempo
investido nisso é semelhante. Imaginei que seria elegante um desejo de felicidades à
mulher que está namorando comigo, e que há alguns dias eu havia levado em casa
exclusivamente para que todos se conhecessem./o:p
Há vários meios de se aproximar e de se conhecer alguém, especialmente em tempos
de redes sociais. Trocar curtidas, mencionar se gostou ou não das coisas, observar,
compartilhar, tudo são formas de construir uma aproximação./o:p
Não preciso que tu coloques ela no teu coração. Ela já está no meu, e isso deveria ser
suficiente para afiançar a relevância que ela passa a ter pra toda a família. /o:p
Aliás, eu já havia falado isso pessoalmente, nós nos conhecemos há muitos anos,
começamos a namorar há dois meses, e isso não diminui a importância da pessoa.
Não fosse sério, não precisaria ter levado ela até Porto Alegre para conhecer a minha
família. Ela sim merecia a consideração da minha mãe, para lhe cumprimentar pelo
aniversário./o:p
O espanto pelo noivado era esperado. Aliás, era desejado, afinal, era pra ser uma
surpresa! E não tem só fotos no Instagran. Tem vídeo, tem detalhes./o:p
Não cobrei nada. Fui cobrado. Tu querias ser noticiada antes, mas, não conversasse
comigo ao longo do dia, quando eu poderia dizer olha mãe, hoje, no aniversário da
Andreza, vou pedir pra casar com ela. Apenas não tive essa oportunidade. Não cobrei
nada./o:p
Eu tinha uma expectativa de que tu pediria, por exemplo o telefone da Andreza para
mandar um whats; que mandaria uma mensagem do tipo, feliz em te ter conosco, etc.
Enfim. Como disseste, talvez tenhamos que diminuir expectativas./o:p
Eu realmente tenho uma enorme gratidão por ter sido sempre acolhido pelos meus
pais, de forma incondicional, e sim, nos momentos em que eu mais precisei. E
demonstrei – e demonstro – de várias formas essa gratidão. Acontece que tem coisas
que são dos pais, e tem outras coisas que são dos filhos. Tem coisas que são minhas,
tem coisas que são nossas. E isso não tem a ver com excluir ninguém. /o:p
Já havia conversado com o pai quando estiveram aqui. Tu estás triste e precisa vencer
isso, mãe. Mas, não estás triste comigo, apenas. Eu não sei o que é. Com quem é. Mas,
é fato que tens estado triste há muito tempo. Estive aí para um almoço que deveria ser
alegre e festivo; momentos de alegria, depois de 2 meses longe. Na verdade, não
importava quanto tempo, este tempo poderia ser muito leve, descontraído – apesar de
que apresentar a namorada sempre pode ser constrangedor./o:p
Mais do que isto, eu fui muito verdadeiro com tudo que falamos e conversamos sobre
a minha namorada, agora noiva. É uma relação nova sim. Mas, intensa, e baseada
numa amizade antiga. Que é minha, só minha, e só diz respeito a como eu tenho que
me sentir em relação a isto./o:p
E é sobre isso que eu penso que tu precises refletir. Em como ser feliz com a felicidade
dos teus filhos, sem que precise ser dentro de uma caixa, um modelo, um formato
mental que é só teu. O Rafael sofre a mesma coisa, ele está seguindo a vida com outra
pessoa, feliz, do jeito dele. Afinal, quem está excluindo quem? Não tenho dúvida de
que a lei do pertencimento é afetada, mas, não por mim. O rompimento afetivo de
mãe-filho nunca foi meu. A alegria de receber o filho, a mulher do filho, as escolhas do
filho, a independência e as fases, puxa, quem será que rompeu com este afeto?/o:p
E sim, mãe, o afeto vem antes do certo e do errado. Acertar e errar é da vida. E, puxa,
como eu erro. Pago por cada erro, mas, tento ser feliz com os acertos, com as vitórias,
com os reconhecimentos. Que, antes de todos, poderiam ser teus/o:p
Meu noivado sim é o desejo de construir uma família. E se for dentro de outra família,
uma família semi-pronta, qual problema? Uma mulher incrível que já deu
demonstrações que me admira e me respeita; crianças ótimas, que como todas as
crianças estão sendo educadas; uma família católica, que frequenta a igreja comigo,
que acredita nas mesmas coisas, e uma mulher que foi vítima de uma relação. Qual o
problema nisso? Especialmente eu estando apaixonado por esta mulher que tem me
feito tão bem? Qual o problema de que uma mulher, diferente, em uma situação
diferente me faça bem? Me torne um sujeito apaixonado, disposto a fazer surpresas
por esta paixão? Qual o problema?/o:p
Reitero, não tem porque sentires dor, eu não poderia ter melhor mãe, tudo que eu sou,
e quem eu sou, se deve a mãe que tu foste (e és) e ao pai que eu tenho. Mas, mais uma
vez, tem coisas que não são dos pais. Tem surpresas que os pais não precisam
participar. E isso é assim. Não estou excluindo, pelo contrário, fiz questão de incluir
levando minha namorada pra conhecer os meus pais. E moramos em três cidades
diferentes, ainda por cima./o:p
Continuo dizendo que ficar feliz ou triste é uma escolha tua, mãe. Ficar feliz por mim,
ou me cobrar participação de um momento meu, estando em outra cidade, também é
uma escolha. Eu não me senti excluindo ninguém, aliás, não excluo ninguém, antes
pelo contrário./o:p
Penso, ainda, que tu não tens que torcer pela nossa felicidade. Por que ninguém é
sempre feliz. Todos os filósofos da humanidade seguem se debatendo para entender,
afinal, o que é felicidade. Tens é que buscar a tua felicidade, participando da nossa.
Parece que a tua torcida é para que sejamos felizes dentro daquilo que tu acredita que
seja felicidade. E, definitivamente, não há um único modelo de felicidade, melhor,
acho nem modelo há para ser feliz./o:p
Sim, mulheres e homens vão e vem. Pessoas vão e vem. Pais e mães são
incondicionais. Outra reflexão: será que é o Fábio que muda? Será que a maré
está boa? Sozinho, longe? Ou será que mais uma vez só se quer que as coisas sejam
diferentes do que elas realmente são; dentro do teu modelo?/o:p
Eu sigo lendo, estudando, rezando, refletindo. Andreza e eu rezamos juntos pela
manhã e pela noite. Vamos à missa juntos quando possível, ou separados, sempre.
Sim, estou evoluindo./o:p
Eu sei bem quais as consequências da exclusão na vida de alguém. Mas, não me
sinto ameaçado por isso, não acho que sofrer uma exclusão seja como uma maldição
intransponível. É uma escolha, mãe, jamais eu escolhi te excluir de nada. Agora,
perceba se isso não acontece quando tu não aceita nossas escolhas ou quando exige
um determinado comportamento diferente de quem nós realmente somos./o:p
Eu gostaria sim que tu tivesse menos expectativa em relação aos teus filhos. Essa
expectativa, por muitas vezes, criou uma angústia em atende-la. E percebi, que nunca
vamos conseguir atender tuas expectativas, parecem ilimitadas./o:p
Ficas esperando que nos tornemos coisas que talvez nunca sejamos. Gostaria muito
que tu passasse a viver mais o que nós somos hoje. Quem sabe, tu possa deixar de
expectar coisas, e passe a viver com alegria as coisas que já existem./o:p
O afastamento geográfico, que é fato, e tende a não mudar, não tem a ver com o
afastamento afetivo, que é uma escolha. Segue o convite para compartilhar nossa
alegria e felicidade, para participar conosco, para viver o que é bom, de forma alegre,
mais leve, com menos cobranças sem sentido./o:p
Quanto as minhas verdades, sim, pretendo ser mais verdadeiro, começando por tudo
que escrevi. E não, tu também não foi verdadeira quando disseste que não quer um
retorno, ou quando diz que vai tentar não dar importância. Isso não é verdade,
sabemos disso./o:p
Seguirei a minha vida. Não tenho escolha, acho a vida uma experiência incrível,
errando ou acertando, sofrendo ou me alegrando. Definitivamente não devolverei
minha alma intacta a Deus. Estará completamente remendada. /o:p
Mas, mãe, seria muito melhor seguir a vida sabendo que estás alegre pelas minhas
conquistas e minhas alegrias; seria muito melhor seguir a vida sabendo que meu
irmão Rafael fica alegre em ir te visitar com a namorada, e que no almoço vocês
possam rir, contar piadas, de uma forma leve; seria muito melhor seguir a vida
podendo saber como estão as coisas por aí, e contando como estão as coisas por aqui;
como eu conquistei duas crianças em 10 dias; como as crianças gostaram de estar
comigo (e com o Rafa, no caso dele). Sim, vou seguir com a minha vida, mas, seria
melhor dividir as coisas do nosso casamento, contar dos nossos planos. Seria muito
bom poder continuar indefinidamente contando com os meus pais para brincar com
os netos emprestados, ou com os netos que podem ainda vir, porque afinal, em 2020,
somos jovens de 40 anos./o:p
A exclusão, não é uma escolha minha, tenha certeza disso. Quero muito que tu sejas
feliz, mas antes, quero que sejas alegre, que olhe as coisas boas que temos, que olhes
a metade cheia, que veja com otimismo a vida; que tente ser mais leve./o:p
Obrigado pelo feedback. Espero que receba o meu com amor. Como disse no whats, te
amo mãe, nada vai mudar isso; e te quero leve e perto./o:p
Tu sabes bem disso, no final, foste tu quem ficou com a vó. Ter sido alegre ou triste,
não fez diferença pra isso, pra tua dedicação, responsabilidade, dor. Mas, certamente,
poderia ter sido muito melhor, e muitos anos mais alegres poderiam ter existido se
simplesmente aceitássemos a vida como ela é, as pessoas como elas são, e
pudéssemos compartilhar e viver intensamente estas alegrias./o:p
Enfim, estou em uma fase em que de verdade acredito que possa haver mais amor, e
que no final, tudo dá certo./o:p
Te amo./o:p
(Em tempo, com relação ao pai, nem ele acredita que isso não tenha importância, ele
só tem o jeito dele de tentar te fazer ficar mais alegre, e ele tem tentado fazer isso,
acredite)./o:p
Teu filho Fábio./o:p
Ah, em tempo mais uma vez, espero que fique bem do problema nos olhos, se
quiseres compartilhar, eu gostaria de saber.
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19
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