Souza —
De todos filósofos e pensadores, desde a Grécia antiga, até à modernidade, aquele
que mais me influencia e serve de modelo e inspiração é Jesus Cristo. É interessante
pensar que nenhum dos seus ensinamentos foi escrito por ele próprio. A doutrina
cristã é atribuída a quatro evangelistas: João, Mateus, Marcos e Lucas, curiosamente,
um médico grego que não teria conhecido pessoalmente Jesus. Mais do que isso, é
possível que a história tenha sido adaptada ao longo destes 2 mil anos de quando se
imagina que Jesus tenha vivido. Portanto, o que se conhece – e se aprende – são os
relatos sobre alguém que sim me serve de modelo definitivo.
Isso me torna um cristão, um seguidor de Cristo.
Por outro lado, sempre me considerei um sujeito amante
da razão e do pensamento. A mente humana é
absolutamente incrível, seja na sua dimensão individual,
ou enquanto pensamento coletivo. E por muitas vezes,
confesso, nas minhas crises de fé, apesar de entender
que a presença de Cristo no mundo é científica e
historicamente irrefutável, questiono sua divindade.
Jesus Cristo é Deus? Antes, será que existe um Deus, um Criador, o alfa e o ômega, o
princípio e o fim?
Como na Grécia antiga, Deus teria mandado seu Espírito para fecundar uma mulher
mortal e gerar um filho: meio homem, meio Deus. Filho este que morreria
injustamente e ressuscitaria dos mortos ao terceiro dia, conforme as profecias. Que,
aliás, nós, habitantes de vinte e um séculos depois, não sabemos, afinal quando foram
escritas, ou por quem.
A história de Cristo é tão forte e influenciou de maneira tão decisiva nossa civilização
que em quase todo mundo, reverenciamos o dia em que Jesus teria sido cruel e
brutalmente crucificado. Um julgamento estapafúrdio, por motivos torpes. Aquele
evento teria sido uma demonstração de humildade única, ímpar, exclusiva, porque,
diferente de outros mártires, para ele, sendo Deus, estar naquela posição de
sofrimento, era uma escolha.
Contudo, ao terceiro dia, no domingo de páscoa, a ressurreição. O filho de Deus,
depois de ter descido à mansão dos mortos, teria ressuscitado, estando à direita do
Pai, Deus eterno e todo poderoso!
Isso é de grande profundidade filosófica e teológica. A ressurreição, a vida após a
morte, o ressurgimento, a oportunidade de sermos salvos, de finitude do sofrimento
e perpetuação da felicidade. De que o sofrimento terreno é proporcional à
recompensa divina, e por aí vai.
Não haveria civilização possível sem estas crenças, e sem esta esperança. Parece,
quando olhamos por esta perspectiva, que toda mitologia em torno do nascimento,
vida, morte e ressurreição de Jesus foi cuidadosamente arquitetado por alguém com
firme propósito de fazer prosperar a humanidade.
Quando isso acontece, construo e escolho fortalecer a minha fé. Nem com toda a
razão, tecnologia, ciência e conhecimento do mundo, alguém teria conseguido, ou
consiga, estabelecer um conjunto de princípios, fundamentos, dogmas, fatos, ou
lendas, capaz de civilizar, conduzir, orientar, e construir o mundo que conhecemos, da
forma como conhecemos, se não fosse divino, sim, um criador, que tenha estado no
princípio, e que estará no fim. Sobretudo, voltado a fazer prosperar a humanidade,
através da solidariedade, da fraternidade, e da esperança.
E talvez seja esta a grande definição do livre arbítrio, pois Deus não intervém, ele
ensina. Não fará a menor diferença para Deus a minha fé. Mas, para mim, faz toda!
Como experimentar a bondade, sem ter a oportunidade de ser bom? Como
experimentar a cura, sem a oportunidade da doença? Como experimentar o amor,
sem a oportunidade da indiferença? Como experimentar o dom da vida, sem saber da
existência do vale da morte?
A fé, portanto, assim como o amor, a gratidão e a bondade, é uma escolha!
Em todas minhas orações, a este Jesus que escolho divino, porque é na crença de Sua
ressurreição que entendo um mundo melhor, incluo: Creio em Ti Senhor, mas,
aumentai a minha fé!
Ora, mas, se Jesus ensina e não intervém, como ele age na minha vida? Justamente
pela reflexão, pelo momento em que estou aqui, escrevendo estas divagações, onde a
centelha divina se revela, e aumenta a minha fé e crença de que está em nós, em cada
um e em todos, a força e as ferramentas para tornar o mundo um lugar melhor, e
sermos aqui e agora, mais felizes.
Não importa se Jesus é Deus. Ele não se importa. A mensagem que a sua crucificação e
ressurreição permitem é o que importa. A esperança de que, por mais dor que você
possa experimentar, por maior que seja o seu sofrimento, ele se encerrará com a
morte! E além da morte, haverá a ressurreição.
Não precisamos morrer para ressuscitar.
No meu braço esquerdo, lado do coração, há uma cruz tatuada.
Mas, ela já está vazia. Jesus ressuscitou!
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19
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