Ovos Quebrados

Um dia quis fazer uma omelete. Gostava tanto dos ovos, que não lhes queria quebrar.
Sem quebrá-los, não poderia desfrutar da fritada. Dúvida cruel. Conservar os ovos
perfeitamente íntegros, lindos; ou deliciar-me com a textura aveludada da omelete
deslizando na boca. /o:p
Toda escolha traz consigo pelo menos uma renúncia. Ou
muitas. Preferindo a omelete, renuncia-se ao ovo. O
inverso, verdadeiro. /o:p
A escolha pode ser simples e óbvia. Escolher o bom,
renunciando ao ruim. O bem, ao mal. O doce, ao azedo.
/o:p
Agora, quando a escolha é do tipo Beatles ou Rolling Stones; Gil ou Caetano; Castro
Alves, ou Mário Quintana; Churrasco, ou Sushi. Florianópolis, ou bem, Florianópolis
não tem comparação. São escolhas entre duas coisas boas. Um fica, outro sai. Uma
escolha. Uma renúncia.
Agora, o pior de tudo, o que me deixa realmente incomodado, é quando temos que
escolher entre duas coisas ruins. Corinthians ou Palmeiras. Abobrinha, ou dobradinha.
Parece que neste caso só há renúncias./o:p
A pior que já fiz: Haddad ou Bolsonaro. Desonestidade ou estupidez. Malandragem ou
ignorância. O péssimo ou o muito ruim. A disputa entre Lex Luthor e Homer Simpson.
/o:p
Sinto como se tivesse quebrado meus lindos ovos de galinha caipira, grandes e
amarelos, sem ter tido nem o cheiro da omelete!
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19


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