Outros Mundos **Data:** 02 de April de 2013 às 10:55 **Autor:** Fábio Augusto de

Souza —
Aí pelos idos de 2004, portanto há quase dez anos, meio que por acidente, tive nas
mãos o livro “Elite da Tropa”. Na época, assumia a gerência operacional de uma
empresa com mais de 4.000 vigilantes, e todos assuntos que envolviam segurança –
pública ou privada – eram de extrema relevância para meu aperfeiçoamento.
Pois bem, alguns anos mais tarde, o cinema lançou o excelente “Tropa de Elite”,
baseado no livro (que inclusive mudou de nome, tornando-se homônimo ao filme).
Ontem, a televisão apresentou o segundo da série, já distante do livro, mas, não
menos impactante. Pela enésima vez, atrasei um pouco o sono, e assisti mais uma vez
a locução do “Capitão Nascimento”, e suas críticas ao “sistema”.
Outro filme nacional que provocou também um significativo impacto, foi “Cidade de
Deus”. A política interna das “comunidades”, e seu sistema de julgamento e execução,
independentemente da faixa etária dos seus réus, foi algo bastante revelador, pra dizer
o mínimo.
Mas, apesar do que se poderia pensar, não comentarei (agora) os problemas sociais do
Brasil, crise de segurança, ou vergonhosa relação causa-efeito da corrupção em seus
diferentes níveis. Registro apenas o fato de que vivemos em um, dos inúmeros
“mundos” à nossa volta.
O mundo, a sociedade, a realidade que percebemos, ou que vivemos é um mundo
quase que só nosso. Há outros. Outros planetas, outras dimensões, como queiram. Em
alguns momentos, fizemos incursões em um ou outro mundo, que nos servem,
especialmente para dar a exata dimensão de valor ao nosso próprio mundo.
Veja, estar numa favela carioca, ou numa vila de Porto Alegre, e ver a realidade brutal
dos fatos, a linguagem, as gírias, as dificuldades, pode ser tão estranho quanto
participar de um baile “black tie” no Country Clube. “Desenrolar um parada”, ou “abrir
um Veuve Clicquot com sabre”, são expressões que igualmente não fazem parte do
meu cotidiano, e portanto, estão em mundos diferentes do meu. Porém, em ambos,
consigo perceber do que se tratam, porque, em um momento ou outro, fiz algumas
incursões nestes mundos.
Refiro-me a questões econômicas, mas, facilmente poderíamos falar de profissões, de
áreas do conhecimento, de países, enfim. Aliás, poderíamos perceber mudanças
culturais imensas de uma família para a outra, onde visitar alguém, seria como entrar
em órbita.
O cinema, a literatura, o teatro, enfim, as artes, tem este condão de nos levar para
outras dimensões, outras realidades, sem, que necessariamente estejamos expostos.
Mas, afinal, será que as vezes, não precisamos, realmente “entrar em órbita”? Será que
não se torna cada vez mais necessário romper as fronteiras do nosso mundo, e
experimentar outras vidas? Será que esta não é, quem sabe, uma excelente forma de
desenvolver cultura? Será que é realmente perigoso aventurar-se num morro, ou num
iate clube? Não seria mais perigoso ainda, manter-se apenas, no próprio mundo?
Perguntas, apenas perguntas.
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19


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