Augusto de Souza —
Há tempo deixei de acreditar em Papai Noel, Contos de Fadas, e em ideologias
políticas. Direita, Esquerda, Centro, são apenas noções de direção. Coerência,
responsabilidade, representatividade, são meras figuras de linguagem, e ficção
semântica. Afinal, somos todos iguais, temos os mesmos direitos, mas, como diria
Orwel, uns são mais iguais e tem mais direitos que os outros.
Não sei se o poder corrompe. Parece que sim. Ou não. Talvez apenas demonstre quem
se é. Enfim.
Fato é que Barack Obama, aparentemente, se corrompeu. Não, nenhum escândalo de
desvio de verbas, ou coisa do tipo. Não, não tenho nem ideia se há manobras políticas
como as feitas no Brasil, para aprovações de projetos. Penso que tenha corrompido
um pouco de sua essência. Tornou-se mais um presidente americano a desejar
vingança.
Diante de mais um atentado terrorista, na cidade de Boston, ontem, a manifestação
presidencial foi, no sentido de “caçar e punir”. Certo, entendo que a impunidade seja
indesejável. Abomino qualquer atentado à vida, seja de civis, ou não civis; inocentes,
ou não inocentes. Penso que há soldados tão inocentes, quanto qualquer jovem numa
escola secundária. Não creio que haja justificativa suficiente para que sejam “mortos
em combate”. Certamente é preciso que se investigue e se puna, na forma da lei, os
responsáveis pelos atentados. Contudo, quando, afinal, os americanos irão tratar as
causas de tamanha rejeição, tamanho ódio, onde as pessoas queiram
deliberadamente destruir um país?
Não creio que os americanos saibam como evitar terroristas. Parece-me que a solução
não está na fiscalização dos aeroportos, nem na eficiência da Inteligência
governamental, menos ainda na retaliação das forças armadas. Talvez esteja
justamente no posicionamento inverso, na contribuição ao mundo, no
compartilhamento do conhecimento, da força, do auxílio, da solidariedade. Não
restam dúvidas quanto ao poderio da América, mas, talvez, se isto fosse aproveitado
para servir o mundo, o planeta, diferentemente da postura de servir-se do mundo – o
que parece – talvez pudéssemos ter uma nova chance.
Teve um sujeito, há algum tempo, que mencionou algo sobre “oferecer a outra face”,
será que tinha algo a ver com isto? Quem sabe?
— *Post extraído do blog ‘Opiniático Reflexivo’ em 29/03/2026 às 21:19* — ##
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