Fábio Augusto de Souza —
Um dos primeiros posts que publiquei aqui no Opiniático Reflexivo foi Felipão –
Gerente de RH, a propósito da reestreia do Luiz Felipe como técnico da Seleção
Brasileira. Comentei a respeito da oportunidade que tive, ainda quando estava no
início da minha formação profissional, de ter uma palestra com o então técnico do
Grêmio Futebol Portalegrense.
Estou escrevendo isto aos 4 minutos do segundo tempo do jogo Brasil e Espanha. Não
sei ainda como o jogo terminará, mas, estamos ganhando de três a zero. O fenômeno
Scolari é algo surpreendente. Não importa mais o resultado, agora, voltamos a ter um
time que nos representa. Aguerrido, organizado, bem disposto.
Vale a pena estudar e pensar a respeito. Em uma das últimas entrevistas do técnico
brasileiro, houve uma questão a respeito de como ele iria trabalhar, ou cobrar alguns
jogadores que haviam cometido erros, e que apresentaram um rendimento, ou
produtividade menores do que se esperava. A resposta foi a mesma que ouvi há quase
20 anos.
A resposta foi algo do tipo: vou tratar disso durante, no máximo 10% do tempo de
conversa que terei com os jogadores; o restante do tempo, vou enaltecer os acertos,
incentivar meus jogadores, e fazer com que eles ganhem confiança; quanto mais
confiança, mais segurança, melhores serão, e melhores serão seus resultados.
Isso é uma aula. Inegável e essencial o reconhecimento, a demonstração de crédito, de
aposta. Depois que houve a escolha do time, não houve mais dúvida! Não dá pra ficar
trocando, testando. O time é um só, este time terá toda a confiança para jogar, fazer o
seu melhor, e para, se acontecer, inclusive, errar!
Quem lembra de ter visto jogar, na década de 90, um centroavante chamado Jardel,
sabe que ele só sabia cabecear. Mais nada. Com a bola nos pés, dificilmente alguma
coisa era possível ser feita. Tropeçava, errava, enfim. Ele foi o maior artilheiro de todos
os tempos no Grêmio. A respeito dele, Felipão falou: reforço tanto os acertos dele,
insisto tanto naquilo que ele é bom, ele ganha tanta confiança, que começa a fazer
coisas que nem sabia que era capaz. Numa daquelas temporadas, antes de se
transferir para o futebol europeu, o Jardel começou a fazer gols, inclusive com os pés.
Nas empresas, penso que o caminho seja o mesmo, ou, pelo menos, muito parecido.
A partir do momento em que decidimos e montamos nossa equipe, nosso time,
precisamos apostar e ampliar a confiança em cada um deles. As pessoas precisam se
sentir seguras para fazer o seu melhor, para tomarem as decisões que precisam ser
tomadas, para fazer o que precisa ser feito, e, precisam ter o direito e o espaço
também para errar.
Há quem diga que não se deve elogiar os colaboradores por fazerem bem o seu
trabalho – sua obrigação. Pois bem. Tese absolutamente sepultada. Enaltecer o
trabalho bem feito, reconhecer, recompensar, dar CONFIANÇA, acreditar nos
profissionais que estão no nosso time, este é o caminho. Difícil caminho, bem verdade.
Contudo, as pessoas confiantes poderão fazer tão bem, tão melhor, haverá tanto
esforço, tanto comprometimento, que serão imbatíveis!
Em tempo, há que se formar uma seleção. É preciso ter as pessoas certas. Dar
confiança para quem não merece, ou para quem não se compromete, é perda de
tempo, é ser injusto com os demais. Montar uma seleção, dar as melhores condições,
ressaltar suas qualidades, dar confiança, penso que sejam elementos de uma equipe
vitoriosa.
E quem não quer ter uma equipe vitoriosa?
Finalmente, não resistirei… Ao meu caríssimo cunhado espanhol, catalão, gente boa,
excelente cozinheiro, não tem jeito, o campeão voltou!!!
Ah, o campeão é o Brasil!!!
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19
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