Nos vemos a noite!

À noite, quando o mundo silencia, e o céu é mais escuro, a fina névoa do final de
outono se ergue sobre o asfalto e, por entre o concreto gelado, o ar frio que precede o
inverno parece ser ainda mais sombrio./o:p
Olho pela vidraça e as luzes fracas da metrópole se
distorcem na condensação da janela. Parece quem nem
mesmo as almas e os fantasmas da noite circulam pela
cidade./o:p
Meus pensamentos vagam ora aqui, outra ali,
percorrendo a linha fina do tempo, sem que eu consiga
definir o que é lembrança e o que é desejo. Sinto o hálito
alcoolizado de um licor que eu não tomei. Sinto o calor da pele que não está aqui.
Minhas mãos querem te tocar e encontram apenas o vazio sobre os lençóis. /o:p
O tempo que se arrasta lentamente nessa noite, e escorrerá cruelmente entre os dedos
quando estivermos juntos. A única constante nesta equação exponencial de
sensações, portanto, é, mais uma vez, a saudade. /o:p
Talvez, saudade de coisas que não foram experimentadas, talvez até do que não foi
meu. Incógnitas. Talvez na matriz quadrada de múltiplas variáveis poder-se-ia buscar
alguma solução. /o:p
Só esta noite fria, e este ar gelado, podem fazer minha mente estender um véu entre a
álgebra e a filosofia. /o:p
São estes olhos e olhares, que eu não tenho aqui, e o calor da tua pele, que não me
aqueceu nesta noite, que me fazem enlouquecer. E se a felicidade é viver um instante
que não se quer que acabe, a tristeza, é a angústia para que este outro instante acabe
logo!/o:p
Nos vemos à noite Baby!
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19


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