A pele dourada do sol, ainda que no inverno nublado;
/o:p
Detalhes íntimos, guardados pra mim.
Morenos./o:p
Cabelos escuros, longos e ondulados!
Por vezes lisos, por opção./o:p
Caminhar firme, seguro./o:p
Caminhar leve, como de quem não toca o chão./o:p
Caminhar quem não caminha, desfila./o:p
Caminhar que inspira poemas, arranca suspiros de uns; e inveja de outros./o:p
E o corpo. Ah o corpo. /o:p
Nem Stradivarius ousaria contornos tão perfeitos./o:p
Não, não apenas os quadris largos, a cintura fina, e os seios desenhados,/o:p
Simétricos como recomendam os cirurgiões;/o:p
Toda ela fora feita com esmero./o:p
Cada detalhe, as coxas fortes, torneadas, deliciosas de serem acariciadas, /o:p
(ainda que só em pensamento);/o:p
E as ilhargas, marcadas pela prática constante do pilates,
continuidade de um abdômen definido, por onde vagam meus desejos./o:p
Sim, as formas arredondadas e fortes, aquelas que mesmo o mais puritano dos seres
humanos, insistiria em acompanhar quando passa./o:p
As mãos, que bailam como que no monólogo da Bibi (Ferreira), /o:p
Hipnotizam, porque cuidadas, delicadas e fortes, /o:p
Sustentam, acariciam, e enxugam o pranto;/o:p
As mesmas mãos que apertam a pele, e agarram os lençóis no momento do prazer./o:p
Mas, de tudo que me encanta, e encantos não lhe faltam,/o:p
Reside, não apenas nos olhos castanhos,/o:p
Mas, no olhar profundo, a perda completa do meu juízo./o:p
Esses olhos e olhares, emoldurados em um rosto lindo,/o:p
E o sorriso iluminado, trouxeram-me novamente à vida./o:p
Privilégio meu que não precisei ver para enxergar;/o:p
A distância, e o frio do telefonema, já me permitiram ver;/o:p
Comigo, ela falava sorrindo, e sorrindo ela me salvou./o:p
Como que em uma massagem cardíaca, como que um desfibrilador, /o:p
Ela me convidou a viver – novamente – com ela!/o:p
Com ela descobri o exagero;/o:p
Descobri o frio na barriga;/o:p
O medo de altura, ainda que esteja com os pés fincados no chão!/o:p
Com ela descobri a loucura;/o:p
Entendi Vilaró;/o:p
Sin locura no hay grandeza;/o:p
(Talvez não por acaso,/o:p
a rima com seu nome)/o:p
Com ela descobri a paz!/o:p
Descobri meu farol, meu porto./o:p
Com ela descobri que podemos ser um do outro,/o:p
Sem deixarmos de ser eu e ela./o:p
Descobri que podemos estar juntos, mesmo longe;/o:p
Com ela, descobri a relatividade do tempo;/o:p
Com ela, a saudade parece ser a única constante!/o:p
Finalmente com ela, redescobri a fé!/o:p
Em um Deus de infinita bondade e amor,/o:p
Que nos ampara e sustenta,/o:p
Um Deus que nos acompanha nos desejos ardentes,/o:p
E nos pedidos de saúde aos nossos pais e filhos./o:p
Essa mulher que conheci adulto, já existia nos meus sonhos juvenis./o:p
Há quem diga que a felicidade é experimentada quando vivemos em um instante algo
que absolutamente não queremos que acabe./o:p
Cada instante ao teu lado, seja na tensão da discussão profissional,/o:p
Seja no calor do conjunto de lençóis azuis (ou brancos);/o:p
São momentos que eu não quero que acabe./o:p
Nestes momentos, eu sei bem, eu experimento a felicidade./o:p
Te amo garota!
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19
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