Augusto de Souza —
O cotidiano de um gestor é semelhante a uma Montanha Russa. Altos e baixos.
Podemos estabelecer infinitas analogias com este brinquedo. Subimos devagar,
devagar, devagar. Teque-teque-teque. Parada. Despenca. Sobe rapidamente.
Loopings. Pernas pro ar. Estômago nas costas. Tensão. Alívio.
Isso acontece com nossos resultados, com o nível de motivação de nossas equipes,
com nosso nível de tensão, com as contingências a serem resolvidas, com as questões
associadas ao fator x. Lembro que fator x é como batizei aquele elemento
desconhecido, inerente ao ser humano, que sempre pode se revelar e nos
surpreender, de forma positiva, ou negativa. Escrevi sobre isto um tempo atrás.
O fato é que nossa rotina é justamente a não-rotina. Precisamos nos adaptar às
necessidades do momento, da equipe, do cliente, da empresa. Estejam no ápice,
estejam no vale. Há momentos de distribuir flores e chocolates; há momentos de
disparar chumbo quente!
Não há restrição em relação às flores! Mas, muito cuidado com o manuseio das armas.
Não podemos nos permitir balas perdidas – podemos acertar inocentes, e perder
ótimos profissionais. Às vezes é preciso ser firme, e atacar com força alguns pontos,
não restam dúvidas. Contudo, o gestor precisa ser um sniper, um atirador de elite,
precisa do tiro único e certeiro. Disparar a esmo, como um gangster, com o dedo
trancado no gatilho da metralhadora, pode custar muito caro para a equipe, e para a
organização.
Atenção. Quando ferimos alguém acidentalmente, e esta pessoa nos dá a
oportunidade de nos desculpar e curar suas feridas, ótimo. O problema, é que, muitas
vezes, ferimos de morte! Ou pior, ferimos a capacidade da pessoa de nos falar, de nos
dar oportunidades de melhoria, de nos dar feedbacks. E isto pode ser fatal,
especialmente para o próprio gestor.
Não á fácil perceber isto. E não podemos apenas ser gestores que distribuem flores e
unguentos. Eventualmente, precisamos chacoalhar a equipe, incendiar, colocar
combustível e provocar faíscas. Em outros momentos, precisaremos extinguir
incêndios, conter chamas.
Qual é a medida? Qual é a dose certa? Quando que o remédio torna-se o veneno?
Este é o desafio, aprender, ou desenvolver a habilidade de perceber a equipe, e sentir
o time, e de agir de acordo com a necessidade específica deste time.
Andar na Montanha Russa é uma aventura restrita. Não é para todos. Gerenciar
pessoas também não.
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19
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