Anteontem descobri como é sofrer a violência urbana, quando furtaram meus
equipamentos, meu material de trabalho e estudo. Mas, nos últimos dias, semanas e
meses, tenho descoberto tanta coisa. Descobri, por exemplo, uma receita do meu
cunhado espanhol, que gratina uma maionese com alho, sobre postas de bacalhau,
algo muito especial. Descobri também uma rua antiga no meu bairro, na qual nunca
havia passado. Houve o nosso amigo Flores, que descobriu com espichávamos a rede
de volei na “Rua do Meio”, e ficávamos desde sempre jogando. Há quem descubra a
mulher a sua vida, de uma hora pra outra. Enfim.
A violência urbana já existia, mesmo que eu não a houvesse descoberto ainda. A
receita do David, também. Eu nunca havia ouvido falar daquela rua, lá naquele canto,
que sempre esteve lá, muito antes de mim. Nosso volei, estava lá, antes do Flores. A
mulher da sua vida, bom, houve um tempo em que você não a conhecia. E tudo isso
foi descoberto, mesmo já existindo.
Fizemos descobertas todos os dias.
Pois bem, se é assim, como poderia alguém dizer que o Brasil, há exatos 513 anos, não
foi descoberto? Escuto dizerem que não poderia ter sido descoberto porque já
existiam índios por estas bandas. “Já havia vida no Brasil”. Claro que já havia vida aqui,
até porque, se não houvesse, o verbo seria outro. A descoberta sempre virá depois da
existência. E uma coisa não invalida a outra.
Sim, o Brasil foi descoberto. E, naquela época, as pessoas que o descobriram, foram,
no mínimo corajosas. Meses e meses em mar aberto, correndo o risco de “despencar
na borda do mundo”. Agora, o que foi feito depois da descoberta, bom, aí é outro
papo. Não, de fato não há muita glória e muito orgulho nos feitos históricos deste
“gigante pela própria natureza”.
Mas, ainda assim, em uma ideia de causa e efeito, fato é que, em função da
descoberta, estamos aqui. Você, eu, e todos os brasileiros somos frutos daquele
evento. Isto é a nossa história, e a história precisa ser valorizada, precisa ser
entendida, precisa de crença, para que possamos mudar, não o que passou, mas, o
que está por vir.
E para mudar o que está por vir, dependemos de algumas novas descobertas, de
alguns novos desbravadores, de muita coragem.
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19
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