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Quem já “me leu” aqui sabe que escrevo em caráter terapêutico e meramente
reflexivo, e eventualmente opinativo, sem maiores compromissos. Tenho me
esforçado em ser simples, sem perder profundidade. Segue, portanto, mais uma
dessas tentativas.
O medo é o sal da vida. A frase é do paulista Paulo Gaudêncio, psicanalista, cuja
palestra tive oportunidade de assistir há alguns anos. Ele mencionava que, sem o
medo, a vida seria, digamos, apática. Em sua palestra, ele demonstrava como é
justamente a avaliação e superação de medos que mantém a vitalidade das pessoas.
Uma historinha de business é a do peixe fresco. Em síntese, no Japão, as pessoas
reclamavam que os peixes, pescados em alto mar, resfriados no gelo nos porões dos
barcos, não tinham sabor de peixe fresco; resolveu-se adotar tanques, espécies de
aquários, onde os peixes chegavam ainda vivos ao destino; ainda assim, o sabor não
parecia ser o ideal; finalmente, decidiu-se incluir nos tanques, um tipo de tubarão
pequeno, que acabava comendo alguns, mas, todos demais chegavam com gosto de
peixe fresco. O medo de perder a vida, aparentemente mantinha o frescor dos peixes.
O Livro Verônica decide morrer, do controverso escritor Paulo Coelho, como o
próprio título sugere, narra a história de uma pessoa que tenta suicídio, sem sucesso.
(Se não quiser spoiler pule para o próximo parágrafo). Verônica se convence de que a
tentativa frustrada haveria lhe causado uma efeito colateral que abreviaria
sumariamente seu tempo de vida. Diante dessa possibilidade, e agora sabendo que
não teria mais tempo de viver, este medo teria renovado sua vontade de viver.
Thomas Hobbes, um dos filósofos contratualistas, sentenciou que o Homem é o Lobo
do Homem, referindo-se que em seu estado natural, as pessoas vivem em constante
medo e temor uns dos outros, e que estariam dispostos a tudo para saciar seus
desejos e apetites. Na reflexão de Hobbes, seria o medo, portanto, o propulsor da
criação de um Estado que promoveria a paz social, ou a própria civilização.
João Inácio, sujeito fictício, presente no anedotário gaúcho, por medo de ser traído na
sala de casa, decidiu que lá, não haveria sofá!
O medo, por si só, não me parece bom ou ruim. Enquanto sentimento, ele pode lhe
aprisionar e paralisar, ou impulsionar e motivar. Quando temos medo de alguma
coisa, nosso corpo se prepara para fugir ou enfrentar. Coração acelera, bombeando
mais sangue; face empalidece, já que é nos membros que nossa força precisará estar;
mãos ficam trêmulas, já aquecendo a musculatura. Fugir ou enfrentar.
É nessa hora que a decisão que tivemos antes do medo, a respeito daquilo que
queremos faz diferença. Enfrentar nossos medos tem a ver com propósito. Tem a ver
com escolhas.
Fugir ou enfrentar. É uma escolha muito própria.
Em tempo, cabe um alerta de Gaudêncio: enfrentar um medo maior do que a
capacidade de superação, pode ser estupidez; mas, fugir de um medo menor,
certamente é covardia. Ter coragem, parece ser criar as condições para que se supere
os medos. Insisto, trata-se uma decisão própria diante do propósito e do próprio
medo.
Não importam mais os medos! Todos sucumbem diante do propósito de ser feliz. Para
aqueles que ainda não estou pronto, trato de reunir os recursos para enfrentá-los. Para
os demais, já nem tenho mais medo!
Ei! Sabe aquele medinho de que a felicidade parece ser boa demais pra ser agora? Que
parece que está rápido demais? Já era!
— *Post extraído do blog ‘Opiniático Reflexivo’ em 29/03/2026 às 21:19* — ##
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