Manifestação Pessoal

Antecipadamente é importante que eu lembre que o Opiniático Reflexivo é o espaço
que tenho tido para praticar um hobby que me dá um grande prazer, que é o de
escrever. Aliás, opinar, refletir e escrever. Não tenho compromissos ideológicos e
tampouco defendo lados, ou bandeiras partidárias. Muitas vezes me pego em
pensamentos contraditórios e questiono minhas próprias opiniões. Ou seja, muitas
vezes escrevo justamente para construir um posicionamento mais convicto.
A partir deste post, vou tentar mudar um pouco o tema, mas, creio que estejamos tão
soterrados de manifestações, que praticamente é impossível deixar de falar a
respeito.
Volto a insistir, sou amplamente favorável às manifestações populares e à mobilização
das ruas. Mas, ainda assim, preciso da avaliação técnica, isenta, séria, profissional, de
que o país terá condições de suportar as mudanças, as melhorias, sem que haja
maiores prejuízos ainda. Que bom que o país acordou, que parece que a sociedade,
enfim, está reagindo aos abusos do poder. O grande problema é que temos uma
inclinação aos extremos. Em tudo, cabe ponderação, análise, cuidado.
Todos deveriam ter direito aos luxos e confortos disponíveis em nossa sociedade.
Saúde, educação, mobilidade, acesso às tecnologias. Precisamos trabalhar para que
todos tenham oportunidade de desfrutar de tudo isso. Seria muito bom que todas as
pessoas pudessem ser realmente livres para ir e vir, por todo o mundo, conhecendo
países e culturas diferentes. Para isto, contudo, creio que seja necessário mais do que
passeatas, mais do que manifestações. É preciso trabalho.
Agora, ouço falar em greve geral, em mais paralização. Infelizmente as manifestações
pacíficas estão criando um manto de impunidade, uma sombra inatingível para
marginais, vândalos e criminosos que continuam amedrontando as pessoas, e
inviabilizando a produção do país. Insisto que podemos tudo, especialmente juntos,
mobilizados. Contudo, é preciso fazer a nossa parte. É preciso contribuir com esforço,
com retribuição, com produção.
Fala-se em educação, mas, esquecemos da necessidade de esforço do aluno. Fala-se
em saúde, mas esquecemos dos cuidados do paciente. Lota-se as emergências, mas,
continuam havendo motoristas embriagados. Falamos de recursos, mas, vivemos
numa sociedade em que o jeitinho ainda existe. Sonegação, DVD pirata, filas furadas.
Também são formas de corrupção. Não só entre políticos, mas, entre todos nós,
precisamos não só de uma reforma política. Precisamos de uma reforma geral.
Precisamos reformar a forma como pensamos. Como todos pensamos.
Estamos agindo como vítimas. Vítimas do governo, dos políticos, dos chefes, dos
empresários, da imprensa, dos Americanos. Chega! Somos vítimas e nós mesmos. O
futuro de um, e de todos, está nas nossas mãos. Cada um de nós tem o poder de
transformar. Mas, especialmente de SE transformar!
Seria possível que as pessoas pudessem se olhar no espelho e pudessem fazer uma
manifestação, ou um protesto contra si próprias? Será que poderíamos reunir nossa
família e convocá-los para manifestarem-se contra nós? Será que minha mulher, filhos,
pais, teriam muitas reivindicações a fazer? Atenderia a todos? Correria o risco de que
nossa casa, nossas coisas fossem depredadas, ou destruídas? Eu ainda acho incrível as
pessoas apostarem e investirem seu tempo, energia, saúde e segurança em grandes
problemas, e grandes aspirações, sem que antes, garantam seu pequeno e particular
espaço, sua família, enfim.
Sim, quero muito ir às ruas, em segurança, com minha família, clamar por uma série
de melhorias no país. Quero que todos ao meu lado possam fazer a mesma coisa, com
a tranquilidade de quem, dentro da parte que estava ao seu alcance também fez tudo
que podia. Foram, bons pais, chefes, profissionais, colegas. Talvez possamos, agora
que o Brasil está (aparentemente) mudando, mudar a nós mesmos.
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19


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