Instintos e Princípios

Volto a me encontrar com as sombras do meu pior vício. A indisciplina. Interessante é
que, de fato, a última semana foi difícil, aliás, as duas últimas. Ocorre que as
próximas, mantém a mesma tendência. Então, não restam desculpas. Importante
firmar propósitos e cumpri-los. E, manter minhas publicações no “Opiniático
Reflexivo”, segue sendo um destes propósitos.
Daí vejo a necessidade de termos estratégias e técnicas que nos mantenham no
caminho. Vivemos em permanente conflito com nossos instintos primitivos. E não
tem jeito, sucumbiremos a eles. A Igreja, definiu, em dado momento, os “sete pecados
capitais”, que no meu entendimento, penso serem os “sete principais instintos
primitivos”.
Em outro post comentei sobre a mediocridade e a preguiça. Aí está um dos sete
pecados, a “Preguiça”. Não restam dúvidas, somos instintivamente preguiçosos. Nosso
organismo tem uma “programação” natural para reservar energia, para evitar
esforços. É necessário descansar, reservar horas qualificadas de sono, dar o tempo de
repouso ao nosso corpo, a nossa mente. É preciso permitir-se o momento de
“preguiça”.
Outro instinto interessante é a “Luxúria”. Há uma crônica genial do Luiz Fernando
Veríssimo, que fala sobre isso. Não vou lembrar da data, ou título. Segundo ele, Deus
não teria confiado muito na sua capacidade de persuasão quando disse à Adão e Eva
“crescei e multiplicai-vos”. Por garantia, inventou o orgasmo. Aí, tornou o sexo uma
brincadeira muito divertida. Deu certo, somos 6 bilhões. Em algum momento, na
vida, descobrimos que há mais coisas pra se fazer com o pinto, do que xixi. É bom,
saudável, divertido.
E os sabores? O cheiro da costela gorda tilintando sobre a brasa. O molho de queijo
derretido sobre o talharim caseiro. Ou a perfeita combinação do merengue assado,
com o morango fresco, coberto com generosas camadas de chantili. Só de lembrar, já
senti uma beliscada na língua, mais saliva, olhos cerrados, e um gemido gutural
involuntário do tipo “hummm”. Não adianta, nosso organismo precisa sobreviver, e
manter generosas reservas de nutrientes, porque, ele não sabe quanto tempo levará
para voltar a se alimentar. A gula é instintiva.
Thomas Malthus disse que a população cresce em progressão geométrica, enquanto
os alimentos, crescem em progressão aritmética. Amigo, vai faltar comida pra alguém.
Vai faltar casa pra alguém. Estrada, carro, roupa, conforto. A preocupação do homem
primitivo era garantir a sobrevivência. Era garantir nossas reservas. Nosso instinto é
ser “avarento”.
Em uma situação de perigo, narinas se dilatam, a pele se avermelha, o sangue sobe (e
ferve), mãos trêmulas, músculos retesados, enfim. Segundo Paulo Gaudêncio,
psicanalista, nosso corpo se prepara para lutar, ou para fugir. nestas horas pensamos e
refletimos muito pouco. Por inúmeras causas, estamos irados. Nosso instinto é de
“Ira”.
E a vaidade? O personagem de Al Pacino, em “O Advogado do Diabo”, define como
sendo seu “pecado favorito”. A vaidade é natural e instintiva. Tanto as fêmeas de
diversas espécies, quanto as mulheres, em seu período fértil tem mudanças físicas
importantes. A ebulição hormonal faz um papel fantástico. As mulheres tem seios
aumentados, a pele fica mais rosada, e todas as suas percepções voltadas ao
acasalamento. Os homens, por outro lado, assim como vários outros animais,
protegem territórios, demarcam terreno, eliminam concorrentes. Mostrando,
instintivamente às fêmeas, que são a melhor opção para perpetuarem a espécie. Puro
instinto.
Finalmente, o último pecado, é a soberba, a arrogância. Penso que talvez, este, seja o
pecado, ou instinto mais contemporâneo. Ao natural, as pessoas tendem a
menosprezar aquilo que não lhes é igual, ou, pior, aquilo que lhes é inferior.
Sete pecados. Sete instintos. Preguiça, luxúria, gula, avareza, ira, vaidade e soberba.
Vivemos e convivemos com todos. E, quase todos os casos, sucumbimos
eventualmente, ou sistematicamente, o que é pior. É aí que Covey (Stephen Covey)
tem todo o mérito ao estabelecer a diferença, entre viver por instinto, ou viver por
princípios.
Quem vive por instinto, entrega-se a eles, e não tem controle sobre a própria vida.
Torna-se medíocre ao sucumbir à preguiça; promíscuo e vulgar, ao entregar-se à
luxúria; obeso e sedentário diante da gula; solitário, diante da avareza; perigoso,
diante da ira; superficial, em função da vaidade; cruel, pela soberba.
Quem vive por princípios, aproveita o descanso reconfortante; desfruta dos prazeres
que resultam da confiança; saboreia os melhores sabores sem culpa; convive e celebra
com seus pares e amigos a abundância compartilhada; protege os seus, ao invés de
agredi-los; tem conteúdo; e está em constante processo de aprendizado.
A diferença entre o vício e a virtude, é a sua medida.
É preciso buscar excelência, enquanto princípio, para combater a preguiça; a
fidelidade, para combater a luxúria, a promiscuidade e a banalização; a solidariedade,
diante da avareza; a serenidade e a justiça, em relação à ira; o conteúdo, diante da
vaidade da aparência; a humildade, mãe de todas as virtudes, diante da soberba; e
finalmente, diante da gula, bom, desculpem-me, diante da gula ainda não tenho
princípio algum. Lamento.
Valores e princípios que servem para nos lembrar de controlar nossos instintos,
nossos “pecados”. Ter princípios, é ter estratégias, são técnicas para nos manter no
caminho.
Confesso que tenho muitos vícios. E muitas vezes, sou mais instintivo do que
“principialista”. Ainda transito entre vícios e virtudes. Mas, tenho pensado muito em
formar e cumprir propósitos. Um deles é formar e viver por princípios. Excelência.
Fidelidade. Lealdade. Solidariedade. Justiça. Humildade. Princípios que me servem.
Agrego mais um, a Disciplina.
(Em tempo, registre-se, por direito autoral, e reconhecimento, que alguns dos
conceitos que mencionei acima, sempre foram insistentemente lembrados, citados
e recitados pelo Dr. Aldo Luiz Mineiro de Souza, em diversas oportunidades, quando
exercia seu papel de pai, conosco, lá em casa.)
— *Post extraído do blog ‘Opiniático Reflexivo’ em 29/03/2026 às 21:19* — ##


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