Homenagem à Liberdade.

O Brasil tem suas cicatrizes, suas marcas de crueldade, de barbarismo. Há 125 anos,
por mera contingência histórica, foi promulgada a lei que “aboliu a escravidão” dentro
do país. A escravidão, sem dúvidas, foi uma das piores doenças que experimentou-se
em solo brasileiro.
Claro, há que se compreender e se colocar dentro do contexto histórico. A escravidão
remonta muitos séculos, e não foi prerrogativa apenas dos negros africanos. Desde a
antiguidade, e as expansões imperialistas, fizeram-se muitos escravos, de muitas
etnias e povos. Subjugar os semelhantes, inclusive de maneira cruel e humilhante, fez
parte do instinto humano. Talvez ainda faça parte.
Ainda há escravos por aqui. Inclusive no Rio Grande do Sul. O Ministério Público do
Trabalho, permanentemente atua em investigações e diligências para libertar pessoas,
para devolver a dignidade a quem sucumbiu à escravidão moderna. Seja no campo,
seja na cidade. Situações de escravidão, ou análogas à de escravidão, estão mais
presentes do que imaginamos.
Alguns dirão que não poderia alguém, nos nossos dias, submeter-se a tais situações,
ou privações. Que nenhuma pessoa poderia estar sob o cabresto de outra.
Infelizmente, isto acontece, e muito.
Mas, há outro tipo de escravidão. Aquela de pensamento. Algumas pessoas são
escravizadas pela religião, ou por maridos, por crenças, pelo medo, pelo trauma,
enfim. Algumas pessoa submetem-se a verdades sem confrontá-las com a reflexão,
com o livre pensamento. Não há liberdade, e não há escolha, sem opções. Não há
liberdade, sem liberdade de pensamento. Ao pensamento não cabem grilhões nem
açoites. Ao pensamento, não aplicam-se leis, ou abolições.
É preciso pensar. “Cogito, ergo sum.” Penso, logo existo. Agregaria ao adágio de
Descartes, que existirei em liberdade, se livres forem meus pensamentos.
Fica a homenagem aos libertos, àqueles escravos de 88 (1888), e aos novos, que assim
se propuserem, no século XXI.
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19


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