Há muito tempo percebo que, muitas vezes, a principal virtude, pode se tornar
nosso maior inimigo, especialmente se não estivermos atentos e nos movimentando,
nos aperfeiçoando todo o tempo.
Não há dúvida que Luiz Felipe errou. Não há dúvida que a convocação foi
equivocada, a escalação do jogo contra Alemanha pior ainda, e a condução emocional
da equipe incomentável. Tudo isso, todo mundo sabe. E mais, isso tudo é fácil falar
após o jogo. Há que se admitir que não houve grandes contestações à convocação
inicial, porque afinal, também não temos muitas opções. Fato.
Ainda assim, o grande alicerce de todos os times do Felipão foi a solidez, a coesão, o
alinhamento, o fechamento do grupo. A família Scolari. O que foi sucesso no passado,
converteu-se no maior fiasco da história do futebol brasileiro. Título que irá perdurar –
tomara – por muito tempo. O técnico brasileiro não convocou, escalou, ou conversou
como um líder, como um gerente, como o responsável por um resultado; ele o fez
como um pai. Olhos e coração de pai com jogadores com quem tinha laços afetivos,
laços paternais.
Às vezes, todos precisamos da segurança e do conforto paternos. Mas, é preciso
que estejamos abertos à vida, que enfrentemos desafios, e que nos confrontemos com
a realidade brutal dos fatos, como o ilustre Francisco de Aguiar. O time do Brasil
demonstrou ao longo destes dias, ser um amontoado de bebês chorões
superprotegidos por um pai bondoso, conivente e acobertador. Escalou ex-
jogadores, reservas de outros times por puro amor paternal. Manteve a escalação de
jogadores não apenas ineficientes, como trapalhões. Entendo agora o motivo. O pai
sempre dá uma nova chance. O pai, não desiste do filho.
Nem na explicação da derrota, o pai superprotetor admitiu expor qualquer um dos
seus filhinhos. Assumiu integralmente a responsabilidade, passando, pela enésima
vez a mão por cima das cabeças dos jogadores.
Ficam muitas lições do fracasso da seleção, mas, sobretudo, fica do ponto de vista
organizacional, o ensinamento de que sim, é preciso relacionar-se com a equipe, é
preciso acompanhar, transmitir confiança, dar segurança, sentimento de
pertencimento, mas, é fundamental que cada um assuma suas responsabilidades, e
faça por merecer seus espaços, suas oportunidades. Mais do que isto, é importante
saber dos objetivos, das metas e do propósito que temos. A missão de uma seleção de
futebol, não é agir por conveniência, agradar seus jogadores ou o seu técnico. A
missão é vencer, ou na melhor das hipóteses, competir com dignidade – o que
estivemos longe.
Amigo, querido, amado jogador, se você não for competente, está fora! Se você não
estiver dento dos critérios, estará fora! Se você não se adaptar ao esquema, estará
fora! Se, finalmente, você não se empenhar, não se entregar, não se dedicar, estará
fora! Se não houver ninguém em bom nível, esmerado, empenhado, jogaremos de
outra forma, ou outro esporte, mas, com dignidade, com papéis e responsabilidades
distribuídos e assumidos.
Então, ficam as lições, melhor um técnico do que um pai! Melhor um time, do que
uma família!
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19
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