sonhos sonhei
Valho-me do saudoso e reverenciado Mario Quintana, para saudar minha cidade em
seu aniversário:
“O Mapa
Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo…
(E nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei…
Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei…)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso…”
Patrão Velho, muito obrigado, por ter me feito gaúcho, e, sobretudo, porto-alegrense.
Mesmo que tenha que partir, para outros rincões, hei de voltar, e aqui seguir meus
devaneios. Porto Alegre não é apenas prédios e produção. Porto Alegre, tem um
cheiro, uma cor, uma luz. O ar úmido de inverno, o sol surgindo aos poucos por trás do
Morro da Polícia. O som da areia da Redenção nos pneus da bicicleta. O grito de gol no
velho Olímpico. O vento gelado de Ipanema. Sim, o verão escaldante, que só nos
enche de vontade de que chegue de volta a elegância do inverno.
Outrora me considerava bairrista. Pois agora, tenho certeza. É bom ser daqui!
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19
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