Despertador **Data:** 06 de February de 2021 às 12:22 **Autor:** Fábio Augusto

de Souza —
Hoje acordei com vontade de escrever.
Faz alguns dias, talvez semanas, quiçá meses que o
Opiniático não tem compartilhado suas opiniões e
reflexões. Há momentos em que não se consegue opinar,
e, infelizmente, menos ainda refletir. O turbilhão de
compromissos, atividades, metas, resultados que a vida
profissional nos exige se sobrepõe ao prazer de escrever,
por exemplo.
Aí, fico aqui diante do papel digital em branco como um pintor que observa mais o
entremeado das fibras do tecido da sua tela, do que a visão da obra que quer entregar.
Porque é assim, de certa forma vamos esculpindo ao longo das palavras um resultado
pretendido. E nem sempre está claro o que se pretende. Queria só escrever. E, para
quem experimenta, sabe que há tanto tesão no ato de fazer amor quanto no orgasmo
em si!… Especialmente quando se faz com a pessoa amada e se pode ver dentro dos
olhos, na pulsação do peito, no arfar dos pulmões a fruição do momento, de cada
momento, antes mesmo da entrega final.
E aí, é assim. Escrevo, volto, leio, ajusto, reposiciono palavras, troco palavras, a ordem,
a sequência, tentando imaginar se de alguma forma isso pode ser interessante. Fico
pensando nos poucos leitores que poderiam me prestigiar: será que qualquer um
destes parágrafos pode provocar alguma alteração na linha vital do
eletroencefalograma que existe mesmo sem ser medido?
Não importa. A felicidade, afinal é inútil. Escrever não precisaria ter utilidade, pode, e
deveria bastar-se. Poucas coisas na vida atribuem-se uma finalidade em si mesma. E
talvez a questão seja apenas esta, atribuir valor intrínseco aos atos simples da vida.
Então é isso, meu tempo acabou! Um despertador insistente, a agenda lembrando que
é preciso voltar ao trabalho e lá atribuir um significado especial nele mesmo. A rotina,
a resolução, a produção, a construção, o legar algo, precisam ser tão prazerosos
quanto estar aqui reunindo esta porção de palavras que talvez para alguém possa até
parecer sem sentido.
A quem quer que tenha lido, quando quer que tenha lido, obrigado por me permitir o
compartilhar de alguns minutos inúteis, porque, quem sabe, eles podem ter bastado
em si mesmos.
— *Post extraído do blog ‘Opiniático Reflexivo’ em 29/03/2026 às 21:19* — ##


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