Acelerei o carro, enquanto abria o vidro, e colocava o dedo em riste, já planejando
meu ataque verbal… Ele não iria escapar, não deixaria de me ouvir. Apertei um pouco
mais o pé direito sobre o acelerador. Aquele sujeito acelerou também. Estaria
prevendo minha ira? Eu estava armado com todos os adjetivos pejorativos dos quais
conseguia me lembrar, e provavelmente, espumando…
Tarde ensolarada de sábado. Dirigia como quem dirige aos sábados à tarde, como que
passeando, pelo borda externa da via, dentro de todos os limites legais e prudentes
possíveis. Óculos escuros, uma musiquinha suave, não muito alta. Rock and roll anos
80. Bermuda, camiseta e uma “Croks”.
Até que aquele carro preto cresceu no retrovisor, e começou a dançar de um lado para
o outro atrás do carro. Deixei que ultrapassasse sem qualquer obstáculo. Continuei
observando, mais duas ou três fechadas em outros carros a frente. Mais algumas
provocações com outros motoristas. Parou na “sinaleira” (farol, semáforo, etc.). Parei
logo atrás.
Então aconteceu. O golpe fatal na minha serenidade. O sujeito jogou pela janela, ainda
com o carro parado, um copo plástico, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Jogou e arrancou em alta velocidade.
Mal-educado, desrespeitoso, abusado, irresponsável, etc, etc, etc.
Senti uma ampola de adrenalina sendo injetada nas minhas veias. Narinas e pupilas
dilatadas, mão apertando o volante com a força que eu faria para estrangular aquele
sujeito. Acelerei!
Instinto da “ira”!…
Senti que a “fera” estava no comando. Senti que o domínio era do “instinto primitivo”.
A lembrança disto foi meu antídoto. Precisava me controlar, administrar a “ira”. Soltei
o pé, aliviei a tensão, voltei a sentar no banco. Não vi mais o idiota do carro preto. Ter
a consciência de nossos vícios pode ser o primeiro caminho para construir nossas
virtudes. Porque eu sabia do descontrole, controlei.
Eu estava a ponto de transformar o problema de um estúpido, em um problema maior,
e que seria meu também… Desnecessário. A vida se encarregará disto.
— *Post extraído do blog ‘Opiniático Reflexivo’ em 29/03/2026 às 21:19* — ##
Deixe um comentário