Meu filho,
Não deixes que te amem. Ou então, cuida do amor que receberes.
Não te falo para não amares. Falo para não permitires que te amem sem estares
disposto a cuidar de quem te amar. É um caminho sem volta.
Não conseguirás passar desse ponto sem sofrer ou causar sofrimento. Embora haja
quem diga que não somos responsáveis pelo amor do outro, não é verdade.
Criarás ambientes, gestos, olhares e palavras e, com eles, despertarás sensações,
emoções e sentimentos. Isso é sério, e a responsabilidade será tua.
Ainda assim, poderás não acreditar nessa capacidade. Poderás fazer com que te amem
e, mesmo assim, não confiar quando acontecer. A confiança é uma coisa complicada.
Ao nascer, acreditarás em tudo. Realidade, fantasia e mentira se misturarão. Um dia
alguém te magoará. A partir daí duvidarás do amor, não da ausência dele, mas da
existência dele.
E isso te tornará perigoso.
Terás alguém ao teu lado e continuarás procurando. Amarão tua imagem, teu
personagem, tua presença e, ainda assim, não confiarás.
Sabotarás o amor e magoarás quem te ama.
Sofrerão com teu silêncio, tua ausência, teu isolamento, teu olhar sempre voltado
para longe. E tu acharás impossível ser capaz de causar esse sofrimento, pois quem
não acredita ser amado não acredita poder machucar.
Esse é o perigo sobre o qual te alerto. Esta história não precisa ser a tua.
Mas, se for, ama mesmo assim e sê leal aos teus amores. Não sairás desta vida sem
alguns arranhões na alma. Não precisas devolvê-la intacta. Nem deves.
Confia. Chegará o dia em que, no meio da tempestade, enxergarás a luz de um farol
que te conduzirá a um porto seguro onde atracarás teu veleiro.
Te amo.
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19
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