Meu filho,
Eu gosto das manhãs de domingo.
Há um silêncio particular nas manhãs de domingo.
Em alguns dias, o sol surge lentamente pelas frestas da persiana, avançando sobre a
roupa de cama e me convidando a aproveitar o dia. Em outros, a chuva desenha
lágrimas no vidro, me empurrando de volta para o calor dos lençóis e para o abraço
preguiçoso da mamãe.
E esse silêncio
Parece que o mundo inteiro desacelera, como se todos estivessem descansando,
recompondo-se da luta, do trabalho, da dor ou até da alegria desmedida de um
sábado à noite.
Eu levanto devagar, pé por pé. Quero manter o silêncio da casa.
Vou até a janela, fito o horizonte. Tudo está parado. Respiro o ar surpreendentemente
frio para um janeiro no hemisfério sul.
Preciso de um café.
Vou até a cozinha e começo a preparar, lentamente, café, leite, pão, ovos, suco,
bandeja. Ouço as notícias do dia pelos fones de ouvido — ainda quero preservar o
silêncio.
Guardo o que precisa voltar para a geladeira e, pé por pé, levo o café na cama para a
mamãe, que agora, com a claridade irrompendo pelo abrir das cortinas, se espicha na
cama com um sorriso satisfeito.
Olho para o teu berço.
Ainda não estás ali.
Por pouco tempo.
Faltam 55 dias para que não haja mais silêncio nas manhãs de domingo.
E eu não vejo a hora.
Te amo.
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19
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