Fábio Augusto de Souza —
Meu filho,
Eu era o melhor pai do mundo antes de ti.
Quando eu via uma criança fazendo birra e sapateando no mercado por causa de um
brinquedo, eu sempre tinha soluções perfeitas.
Quando eu via uma criança hipnotizada por uma tela de celular, alheia à vida da
família, eu sabia exatamente por que aquilo era um problema — e como resolver.
Quando eu via um bebê chorando no colo de outro pai, eu sabia identificar se era dor,
manha, sono ou drama.
Quando eu assistia histórias, vídeos, posts, reels de famílias com seus dilemas, eu
sempre tinha a resposta certa, a ação mais estratégica, conveniente, afetuosa, dura ou
leve para cada situação.
Eu era o melhor pai do mundo.
Eu era o pai que não tinha filhos.
Agora, antes mesmo do teu nascimento, eu já não sei se devo ou não falar contigo pela
barriga da tua mãe; já não sei se o que eu tenho escrito vai ajudar ou atrapalhar; já não
sei se estou criando expectativas demais ou tentando montar um roteiro para a tua
vida sem te consultar.
E, pior: já sei que vou errar tantas vezes que meu maior medo é te influenciar de um
jeito ruim.
O melhor pai do mundo não tem medos.
Eu tenho muitos.
O melhor pai do mundo tem todas as respostas.
Eu não tenho.
O melhor pai do mundo está sempre presente.
Eu não estarei — não como eu gostaria.
O melhor pai do mundo expõe o filho aos desafios, às frustrações, ao mundo real.
Eu não sei se vou conseguir.
O melhor pai do mundo não tem filhos.
Agora eu tenho.
— *Post extraído do blog ‘Opiniático Reflexivo’ em 29/03/2026 às 21:19* — ##
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