Meu filho,
As mãos. Já escrevi sobre mãos. Observe-as sempre.
Tuas mãos, meu filho, ainda são apenas imaginação — mas imagino que, quando
nasceres, serão pequenininhas, um pouco enrugadas, com dedos e unhas minúsculos.
Mãos de recém-nascido: inconfundíveis.
Pelas mãos, reconhecemos muito de uma pessoa.
Um mecânico, um agricultor, um médico — cada um carrega um par distinto.
Há mãos calejadas, mãos macias.
Mãos eternamente sujas.
Mãos obrigatoriamente limpas.
As mãos também revelam saúde. É beliscando o dorso da mão que os médicos
avaliam hidratação. Há mãos trêmulas, mãos amareladas, unhas arroxeadas. As mãos
falam.
E falando em mãos as mulheres, meu filho, são vaidosas. Muitas acreditam — talvez
equivocadamente — que parte de seu valor está na aparência. Independentemente do
amor que incondicional que as envolve, elas investem em roupas, maquiagens,
cremes; mais tarde, cirurgias, tratamentos, academia, médicos. Começam cedo. Talvez
por isso que, no geral, vivam mais que nós.
Mas há uma superestimação da aparência.
E a pior e verdadeiramente imbatível força que age sobre a aparência, no final das
contas, é o tempo!
Ah o tempo, aquela dimensão que falávamos que nos coloca sempre em marcha
avante.
Mas é curioso, algumas pessoas ficam ainda mais bonitas com o tempo, como a tua
mamãe; outras vão ajustando-se, melhorando-se, corrigindo-se.
A tua vovó Maris é uma dessas mulheres que cuida da aparência mais do que
precisaria. E vale a pena: apesar de ter três filhos com mais de quarenta anos, quem
parece ter quarenta é ela.
Ela tem um pouquinho mais (aqui entre nós).
Mas não parece — exceto pelas mãos.
Hoje à noite, observei cuidadosamente as mãos dela, e me dei conta de que o tempo
passa também para as mães.
Ainda bem que devagar.
A alternativa à velhice, meu filho, é infinitamente pior.
A vovó Valda, a mãe da tua mamãe, não teve mãos marcadas pelo tempo. Não
precisou cuidar delas. Ela nos deixou muito antes do que conseguimos compreender
— quando a mamãe era mais nova que o mano Brian é hoje. Imagino o quanto estaria
feliz esperando pelo netinho mais novo.
Enquanto tu não vinhas, meu filho, me dei conta de que eu preciso aproveitar mais a
minha mãe — assim como tu, um dia, precisarás aproveitar a tua.
Te amo!
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19
Deixe um comentário