Meu filho,
Hoje é dia primeiro de fevereiro de 2026. Inauguramos o mês em que você muito
provavelmente irá nascer. Ir além do dia 28 pode representar um risco para ti e para a
mamãe.
A ansiedade começa a aumentar dia após dia. Na semana que passou, fomos até a
médica, fizemos um novo ultrassom. Você está lindo, apesar de estar cada vez mais
apertadinho dentro da barriga.
Você é uma criança grande. Imagina: tu já estás com o peso do Lucca quando nasceu,
e ainda teremos mais três ou quatro semanas de cozimento dentro do forninho da
mamãe.
Não vejo a hora.
Fico imaginando cada etapa do processo do teu nascimento, mas é algo para o qual eu
não tenho nenhum preparo, nenhuma experiência anterior, nenhum conhecimento.
Nada.
Todos os dias, a vovó me manda um post diferente no Instagram, e o algoritmo
continua a me mandar milhões de informações — algumas convergentes, outras nem
tanto.
Vira o bebê assim!
Outro vem e diz: vira o bebê assado.
Não, ao contrário, melhor frito, ou cozido, ou empanado.
Na verdade, a minha esperança é que, pelo menos na maternidade, eu consiga
acompanhar minuto a minuto a rotina da equipe: da médica, das enfermeiras, do
pediatra. Como irão te pegar, te virar, te limpar, te vestir. Vou ficar atento ao curso
expresso de cuidados com recém-nascidos.
Se o aprendizado vem pela intensidade e pela repetição, vamos começar pela
intensidade. Acho que nada pode ser mais intenso do que o nascimento de um filho.
Depois, consolidaremos com a repetição: banhos, fraldas, cólicas, choros e outras
coisas que eu pretendo aprender com a experiência da mamãe.
O papai está apostando na experiência da mamãe. Nas instruções da mamãe. Minha
coach pessoal no que diz respeito aos procedimentos e às rotinas com um pequeno-
grande bebê.
Por aqui, está quase tudo pronto. Quase. Ainda falta alguma coisa. Não sei o que falta,
mas sei que falta. Pergunto pra tua mãe, ela descreve uma coisa ou outra. Faço uma
lista mental. Já falei que perco sempre minhas listas mentais. Dou-me conta de que é a
mamãe que está no comando. Geralmente é ela.
Mas o que falta?
Ela já organizou uma porção de coisas: malinha, roupinha, primeira troca, segunda
troca, fraldas, lenços, cremes, absorventes para o seio (nunca imaginei que houvesse
isso). Ela é fantástica, filho. Deixou separado, identificado, cada etapa — até a roupa
com que sairás da maternidade. Pode?
Puxa eu me sinto navegando na neblina. Aliás, qualquer dia te conto sobre o dia em
que naveguei, de fato, na neblina, lá no Guaíba.
Ainda não sei o que falta. Talvez eu nunca saiba. Ou talvez saiba que sempre faltará
alguma coisa.
Exceto quando tu chegares.
Aí, não faltará mais nada.
Te amo.
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19
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