Oi, amorzinho da mamis,
Vai se acostumando, meu filho é assim que a mamãe costuma falar, kkk.
Hoje também resolvi escrever, pois é um dia especial: seu irmão mais velho, o Brian,
está de aniversário. E aí você vai me questionar: As cartas não são pra mim? Por que
falar do Brian?
Pois é, meu filho foi com o Brian que aprendi a ser mãe.
Há dezesseis anos, vivi o melhor e o pior dia da minha vida ao mesmo tempo. A
gestação do Brian foi tranquila, desejada e muito esperada — assim como a sua.
Porém, no dia do nascimento, a mamãe optou por um parto normal e, como seu pai
sempre diz, toda escolha envolve uma renúncia. Renunciei à praticidade e à segurança
de uma cesárea em prol da naturalidade do parto normal, e as consequências disso
foram difíceis: seu irmão teve uma parada respiratória. Eu não o ouvi chorar, não tive o
golden hour (hora dourada) e não consegui amamentá-lo de imediato.
Na verdade, passei os sete primeiros dias de vida dele imersa em uma intensa e
dolorosa crise de culpa, medo, desespero e dor. Fisicamente eu estava bem, saudável,
mas mentalmente me sentia destruída pelo medo e pela culpa.
A culpa é um sentimento que muitas mães carregam, pois quase sempre achamos que
estamos errando com nossos filhos. Isso é ainda mais comum entre as mães plurais,
aquelas que não abdicam de todas as suas outras versões para serem mães. Há quem
abdique de tudo — mas sua mãe não é assim.
Nesses dezesseis anos sendo mãe, também sou mulher, com minhas vaidades,
frescuras e desejos; sou profissional, com desafios, derrotas e conquistas; sou dona de
casa, com roupas, louças e problemas do dia a dia; sou esposa, com respeito,
renúncias, desafios e amor; e sou mãe, com erros e acertos, mas sempre com todo o
meu amor.
Escrevo tudo isso para que você saiba que, apesar de todas as aflições que um coração
de mãe carrega, eu não trocaria nada. Agradeço a Deus todos os dias por ter me dado
vocês: o Brian, o Lucca e você.
O Brian passou por tudo isso como um verdadeiro vencedor. Ele é um menino genial,
inteligente, tranquilo, estudioso e dedicado a tudo o que se propõe a fazer. Você terá
muito orgulho do irmão que tem — assim como terá do Lucca. E não pense que, por eu
falar menos dele neste texto, não tenha vivido grandes desafios também. Com o
tempo você vai perceber: ele é um fofo. Seu pai já deve ter te contado algumas
histórias dele.
Enfim, você tem irmãos incríveis, um pai muito especial e uma mãe que faz o melhor
que pode: cheia de erros e defeitos, mas transbordando amor.
Te amo!
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19
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