mundo (cartinha da vovó Maris)
Meu querido Mateo,
hoje, dia 06 de fevereiro, estamos a poucos dias da tua chegada ao nosso mundo aqui
fora, enquanto ainda estás guardadinho na barriga da mamãe.
Sabes, meu querido, que temos trabalhado bastante nestes últimos dias, adiantando
algumas coisas para podermos ir até a cidade onde teus pais e teus irmãos moram.
Como teu papai já te disse, nós somos gaúchos e moramos em Porto Alegre, um pouco
distantes daí, e queremos ficar o máximo de tempo possível contigo após o teu
nascimento.
Vou te contar uma coisa: eu queria muito que fosses um gauchinho, como somos
todos nós. Trago comigo um sentimento bairrista forte (mais tarde entenderás o que é
isso). Mas teu papai, meu filho, encontrou uma mulher linda — tua mamãe —, por ela
se apaixonou e, neste belo estado de Santa Catarina, resolveu construir a sua vida com
ela.
É um pouco disso que quero te falar. Os filhos são gerados pelos pais, ficam na barriga
de suas mães por um tempo, vivem com suas famílias por mais algum tempo e, na
sequência da vida, vão para o mundo. Às vezes escolhem ficar perto da família, outras
vezes vão para longe. Essas escolhas acontecem por trabalho, por oportunidades de
estudo, por sonhos ou por amor.
Teu papai encontrou o amor da vida dele — tua mamãe — longe de nós, teu vovô e tua
vovó.
Ele sempre esteve procurando algo, ou alguém, que o fizesse realmente feliz e o
impulsionasse para frente. Quando tomou a decisão de ficar com a tua mamãe, senti
que era definitivo.
Querido Mateo, lembro do dia em que conheci tua mãe: uma morena linda, de sorriso
largo e uma leveza no olhar. Demonstrava um jeito generoso e tranquilo com todos à
sua volta, mas também uma postura decidida, de quem sabe comandar — algo que
sempre apreciei. Quando vi meu filho e tua mamãe se relacionando, junto com teus
irmãos mais velhos, entendi que estavam consolidando uma família e preparando o
caminho para a tua chegada, algum dia.
Internamente, eu sabia que não podia opinar. Pais e mães não palpitam na vida de
filhos adultos — embora, às vezes, queiram muito aconselhar. Então fiquei observando
de longe a vida andar e as coisas acontecerem. O que fiz foi rezar muito para que tudo
entre eles desse certo, se consolidasse e fosse definitivo.
Meu querido neto, enquanto os filhos são pequenos, podemos opinar, interferir,
dirigir, orientar e direcionar seus caminhos com a autoridade de pais e mães. Mas,
depois que crescem, o que nos resta é rezar para que tudo aquilo que procuramos lhes
passar como valores de vida — o que é certo e o que é errado — seja seguido quando
as decisões começam a ser tomadas por eles.
Até hoje, já li todas as cartinhas do teu papai, da mamãe e daqueles que já te
escreveram. Fico imensamente emocionada com cada uma delas. São como viagens
no tempo, para frente e para trás, mas sempre cheias de amor e carinho por ti, que
ainda estás a caminho. Teu papai tem esse dom da escrita e escreve com tanto amor
que sempre me emociona, especialmente pelo desejo sincero de te deixar um legado
através dessas palavras.
Querido Mateo, como te disse em outra cartinha, não sei quanto tempo poderemos
conviver juntos — seja pela idade, seja pela distância entre nós. Mas reafirmo aqui,
agora, o meu amor forte, firme e incondicional por ti. Rezo todos os dias para que
venhas a este mundo como um anjo de Deus e que saibas honrar Seus planos, junto
com todos que te amam.
Agora, espero que aguardes a hora certinha de nascer. Já, já estaremos chegando na
tua cidade.
Muitos beijos da vovó Maris!!!
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19
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