Mateo, meu menino,
Quando tu cresceres, talvez alguém te conte que, antes de chegares ao mundo, já
tinhas conquistado muita gente — inclusive eu.
Li o texto que o teu pai escreveu e, enquanto lia, voltei no tempo. É bonito perceber
como as lembranças caminham com a gente, mesmo quando achamos que a vida já
correu rápido demais.
Teu pai lembrou do Mano que eu fui para ele. E eu, ao ler, lembrei do guri que ele era
— curioso, atento, com uma admiração que eu nunca pedi, mas que sempre me
emocionou.
A vida é assim, Mateo: a gente inspira sem perceber. E também se apoia em pessoas
que nem sempre sabem o quanto foram importantes.
Teu pai cresceu. Virou homem. Virou pai.
E agora te espera com um amor que tu ainda nem imaginas.
Eu, daqui, acompanho tudo em silêncio — como sempre fiz — mas presente, como
quem cuida mesmo sem aparecer muito.
Quero que saibas que tu vais nascer numa família grande, bonita e cheia de histórias.
Histórias de coragem, de trabalho, de afeto, de simplicidade e de vínculos que o
tempo não desmancha.
Talvez, quando tu fores maior, teu pai te conte que eu tive desafios, que fiquei mais
frágil em alguns momentos. Mas envelhecer também é uma forma de ensinar.
Ensinar que a vida é feita de ciclos, e que cada um deles vale a pena.
Prometo que estarei por perto. Quero ver teus primeiros passos, teus cabelos
crescendo, teus olhos descobrindo o mundo.
E, se tudo correr como espero, quero que tu me veja velho — daqueles velhos que
contam história devagar e riem fácil.
Quem sabe, um dia, tu aches graça do meu cabelo grisalho e digas pro teu pai que o
Ray-Ban aviador ainda combina comigo.
Mateo, meu pequeno,
seja leve, seja forte, seja tu. O resto, a vida te mostra.
E lembra: aqui do outro lado tem um tio-avô que já te guarda com carinho — antes
mesmo de te conhecer.
Com muita ternura,
Mano
Post extraído do blog Opiniático Reflexivo em 29/03/2026 às 21:19
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